Dia do Amigo: afinal, sair com as amigas pode mesmo fazer bem à saúde

Entre agendas impossíveis, grupos de WhatsApp com 237 mensagens por ler e o clássico “temos mesmo de combinar”, manter uma amizade adulta pode parecer quase um trabalho a tempo parcial. Mas, neste Dia do Amigo, fica o lembrete de que aquele café, jantar ou passeio que estamos sempre a adiar não é apenas um programa agradável: as relações próximas têm um impacto real no nosso bem-estar físico e emocional.

Nos últimos anos, tornou-se viral a ideia de que devemos encontrar os amigos pelo menos duas vezes por semana para melhorar a saúde. A recomendação tem sido associada ao trabalho do psicólogo e antropólogo Robin Dunbar, da Universidade de Oxford, conhecido pelos seus estudos sobre amizade e redes sociais. Ainda assim, convém não interpretar o número como uma receita médica universal: mais importante do que cumprir exatamente dois encontros semanais é manter contacto regular e investir em relações de qualidade.

A ciência, essa, parece confirmar a parte essencial da mensagem. Pessoas que comem acompanhadas tendem a sentir-se melhor consigo próprias e a dispor de redes mais amplas de apoio social e emocional. Relações fortes também estão associadas a menor risco de depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde, além de uma maior longevidade.

Não significa que seja preciso organizar dois jantares elaborados por semana ou transformar a amizade numa obrigação de calendário. Um café rápido, uma caminhada, uma aula feita em conjunto ou até cozinhar em casa contam. O segredo parece estar menos no programa escolhido e mais na sensação de presença, confiança e pertença que nasce desses encontros.

É isso que perdemos quando substituímos todos os planos por áudios e reações a stories. A tecnologia ajuda a manter contacto, claro, mas uma conversa cara a cara traz expressões, gestos e sinais emocionais que não passam totalmente através do ecrã. A investigação atual sobre ligação social tem chamado a atenção para a importância destas interações reais no combate à solidão e ao isolamento.

A Organização Mundial da Saúde estima que a solidão esteja associada a centenas de milhares de mortes por ano e alerta para os seus efeitos sobre a saúde física e mental. Por isso, tratar as amizades como algo que só merece espaço “quando houver tempo” talvez seja um erro. A conexão social deve ser encarada como parte do autocuidado, tal como dormir bem, fazer exercício ou alimentar-nos de forma equilibrada.

Neste Dia do Amigo, manda a mensagem que tens adiado, marca finalmente aquele jantar e aparece. Não porque um estudo te obriga a sair duas vezes por semana, mas porque ter pessoas com quem rir, desabafar e dividir a vida continua a ser uma das formas mais bonitas e aparentemente mais saudáveis de cuidar de nós.