Fofocar faz mal? É sinal de maldade? Ou será que falar da vida dos outros tem uma função muito mais humana e social do que gostamos de admitir? É a partir desta pergunta que nasce o segundo episódio do podcast Na Saúde e na Doença, de Guilherme Geirinhas e Margarida Santos, desta vez na companhia de Ana Galvão, Joana Marques e Inês Lopes Gonçalves, o trio de As Três da Manhã da Renascença. E nós confessamos já: estamos fãs deste podcast.
Depois de um primeiro episódio com as irmãs Patrocínio, o novo capítulo entra num território aparentemente mais leve, mas surpreendentemente interessante: a fofoca. Ou, dito de outra forma, porque é que gostamos tanto de saber, comentar e partilhar histórias sobre outras pessoas.
Afinal, a fofoca também nos aproxima?
É Ana Galvão quem lança uma das ideias mais interessantes da conversa: as fofocas aproximam-nos das pessoas porque funcionam como um elo de ligação. E, pensando bem, quem nunca? Há amizades que começaram com um “não vais acreditar no que aconteceu”, colegas que ganharam cumplicidade numa conversa de corredor e grupos inteiros unidos por uma informação que, tecnicamente, não lhes dizia respeito nenhum.
Ao longo do episódio, as três comunicadoras falam sobre esta curiosidade quase irresistível pela vida alheia, a diferença entre comentar e ser verdadeiramente maldoso e a forma como a fofoca entra nas relações, no trabalho e até na profissão de quem vive diariamente da atualidade e das figuras públicas. O próprio tema parece particularmente bem escolhido para três mulheres cuja química em antena vive muito da conversa, da observação e do comentário sobre aquilo que acontece à sua volta.
Há também humor, histórias pessoais e aquela dinâmica já muito reconhecível entre Ana, Joana e Inês, que transforma uma conversa sobre comportamento humano numa espécie de mesa ao lado da qual gostaríamos de estar sentadas. E, claro, não faltou o tema dos Anjos.
Talvez a fofoca tenha pior fama do que merece
Claro que há uma linha. Espalhar mentiras, expor intimidades ou usar informação para ferir alguém é outra coisa. Mas talvez tenhamos colocado no mesmo saco toda e qualquer conversa sobre terceiros quando, na realidade, falar sobre outras pessoas sempre fez parte da forma como os seres humanos criam relações e interpretam o mundo.
Partilhamos histórias para perceber comportamentos, testar os nossos próprios valores e criar cumplicidade. Às vezes, quando dizemos “eu no lugar dela nunca faria isto”, estamos também a dizer qualquer coisa sobre nós.
Talvez seja precisamente por isso que a reflexão de Ana Galvão fica. A fofoca pode ser um elo. Um pequeno código partilhado entre duas pessoas. Um “eu conto-te isto porque confio em ti” que cria proximidade. O problema, como quase sempre, talvez não esteja em falar. Está na intenção com que se fala e no que fazemos com aquilo que sabemos.
#GlitterUpYourLife