Tarot journaling: como usar as cartas para escrever sobre ti mesma

Há uma certa resistência quando se fala em tarot. Imagens de salas escuras, bolas de cristal e previsões do futuro que ou assustam ou parecem demasiado vagas para levar a sério. Mas há uma forma de usar o tarot que não tem nada de místico e tudo de psicológico: como ferramenta de escrita e autoconhecimento.

Chama-se tarot journaling, e está a ganhar cada vez mais adeptos entre pessoas que não acreditam necessariamente no sobrenatural mas que reconhecem o valor de uma pergunta bem colocada.

O que é o tarot journaling

A ideia é simples: retiras uma ou mais cartas do baralho, olhas para a imagem, lês o significado simbólico associado e usas isso como ponto de partida para escrever. Não para prever o que vai acontecer, mas para explorar o que já está a acontecer dentro de ti, o que sentes, o que evitas pensar, o que queres, o que temes.

O tarot funciona como espelho, não como oráculo. As cartas não dizem o futuro, colocam perguntas. E as perguntas certas, feitas no momento certo, têm uma capacidade surpreendente de nos ajudar a ver com clareza o que a vida quotidiana cobre de barulho.

Porque funciona

A psicologia Junguiana há muito que reconhece o valor dos arquétipos e das imagens simbólicas para aceder a camadas da psique que o pensamento racional não alcança facilmente. O tarot é um sistema de 78 cartas carregadas de simbologia universal: a morte que representa transformação, a torre que representa ruptura, a estrela que representa esperança depois da crise. Quando retiras uma carta e a aplicas à tua vida, o teu cérebro começa automaticamente a procurar conexões, a construir pontes entre o símbolo e a experiência pessoal.

É esse processo de construção de sentido que torna o tarot journaling tão eficaz. Não é a carta que tem a resposta. És tu que a encontras ao escrever sobre ela.

Como começar

Não precisas de um baralho específico nem de conhecer os significados de todas as 78 cartas de cor. Qualquer baralho de tarot serve, e hoje há guias de referência acessíveis para todos os arcanos. O Rider-Waite é o mais clássico e o mais documentado, mas há baralhos com estéticas muito diferentes, mais modernas, mais minimalistas, mais ligadas à natureza, e a escolha do baralho faz parte da experiência.

Começa pelos Arcanos Maiores, as 22 cartas que representam os grandes temas da vida: a identidade, o amor, a transformação, o poder, a perda. São as mais simbólicas e as que mais facilmente geram material para escrever.

A prática

Reserva dez a quinze minutos. Pode ser de manhã, como forma de definir a intenção do dia, ou à noite, como forma de processar o que aconteceu.

Baralha as cartas com uma pergunta em mente. Não precisa de ser uma grande questão existencial. Pode ser tão simples como: o que é que eu preciso de ver hoje? Que energia me acompanha esta semana? O que é que estou a evitar?

Retira uma carta. Olha para a imagem antes de ler qualquer coisa. O que é que vês? O que é que a imagem te faz sentir? Que memória ou situação vem à superfície?

Só depois lês o significado tradicional da carta. E escreves, sem filtro, sobre a conexão entre o que a carta representa e o que está a acontecer na tua vida.

Não há resposta errada. Não há interpretação incorreta. O tarot journaling não tem provas para passar.

Não precisas de acreditar em nada

O tarot journaling não exige fé em nada sobrenatural. Exige apenas disposição para fazer perguntas honestas e espaço para deixar as respostas emergir. As cartas são o pretexto, a escrita é o trabalho, e o autoconhecimento é o resultado.

É, no fundo, uma forma de criar conversa com a versão mais honesta de ti mesma. E essa conversa, com ou sem cartas, é sempre a mais importante.

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