Skip the Louvre: 5 museus (não tão óbvios) para visitar pelo mundo 

Não me interpretem mal, adoro um bom clássico, não tivessem sido os únicos dois livros (shame on me) que li este ano “O Alquimista” e “O Filho de Mil Homens”. Só que, às vezes, é importante conhecermos as nossas alternativas para além de ficar 3 horas numa fila para ver, de longe e entre 50 telemóveis, um vislumbre da Mona Lisa. 

É claro que gosto de dar check nos pontos turísticos obrigatórios, mas viajar para mim tem outro sabor quando o roteiro está imerso em paragens mais feitas para locals do que para turistas. Acho que o extraordinário está muitas vezes onde a maioria das pessoas não está a olhar e, a pensar nisso, trouxe o novo Glitter Guide: museus que nos fazem pensar “como é que ninguém me falou disto antes”? Seguem-se 5 espaços que combinam curadoria brilhante, estética irrepreensível e aquele fator cool de que nós tanto gostamos.

1. Inhotim (Brumadinho, Brasil)

É o maior museu a céu aberto do mundo e uma das experiências mais sensoriais que podes ter. Nada de salas fechadas com paredes brancas. Em Inhotim, pavilhões de arquitetura brutalista e galerias de arte contemporânea ultra arrojadas surgem literalmente a meio de um jardim botânico gigante. Vai-se de pavilhão em pavilhão a caminhar pela natureza. É a fusão perfeita entre arte de vanguarda e o poder da flora brasileira.

2. Naoshima – O Museu-Ilha (Mar do Japão)

Imagine-se uma ilha piscatória semi-abandonada que foi totalmente transformada num santuário de arte contemporânea pelo arquiteto Tadao Ando. Os museus aqui (como o Chichu Art Museum) são construídos subterraneamente para não interferir na paisagem natural da ilha, usando apenas luz natural para iluminar as obras de Monet ou James Turrell. Pode-se dizer que é o pináculo do quiet luxury cultural. O contraste das esculturas icónicas (como as abóboras gigantes da Yayoi Kusama) à beira-mar com a arquitetura de betão puro é um verdadeiro renascimento de perspetiva. 

3. Louisiana Museum of Modern Art (Humlebæk, Dinamarca)

Fica a cerca de 35 minutos de Copenhaga, mesmo em cima do estreito que separa a Dinamarca da Suécia. O museu equilibra perfeitamente o modernismo dinamarquês com a arte moderna. O edifício estende-se de forma orgânica pela paisagem, misturando galerias envidraçadas com um parque de esculturas com vista para o mar. É um museu onde apetece viver. As pessoas vão para lá ler, passear nos jardins e ver exposições incríveis de artistas como Marina Abramović ou David Hockney sem a rigidez dos museus tradicionais. 

4. Museo Soumaya (Cidade do México, México)

Desenhado pelo arquiteto Fernando Romero, o edifício por si só já merece a viagem. É uma estrutura assimétrica e brilhante, coberta por 16.000 hexágonos de alumínio espelhado que refletem o sol mexicano. Lá dentro, guarda uma coleção privada brutal, que vai de Rodin a Dalí. É o equilíbrio perfeito entre o intelecto e o instagramável. A arquitetura é tão dramática e inteligente que capta a atenção antes de sequer se ver a primeira pintura.

5. Zeitz MOCAA (Cidade do Cabo, África do Sul)

O maior museu do mundo dedicado à arte contemporânea africana e à sua diáspora. O espaço onde está inserido é, na verdade, um antigo silo de grãos histórico que foi escavado por dentro pelo designer Thomas Heatherwick, transformando os tubos de betão num átrio que parece uma catedral futurista. É o epicentro da nova energia criativa global. As exposições são provocadoras, inteligentes e celebram vozes incríveis da arte atual num cenário industrial absolutamente avassalador.

Sou uma apaixonada por museus assumida, clássicos inclusive, mas às vezes esquecer o óbvio e optar por não ir só “ver coisas” mas ter uma experiência cultural completa, é transformador. Há algo de revigorante em perceber que quando largamos a mão do previsível, podemos ser servidos com uma bandeja de boas surpresas. 

Qual destes saltou imediatamente para a tua lista? 

#glitterupyoutlife