Tims…Como começar por apresentar este sítio, senão dizendo que foi visitado e aprovado pela Maro e Rosalía?
Sim, a artista espanhola fez um desvio na sua passagem por Lisboa para ver o que o espaço tinha a oferecer… E o The Verdict não podia deixar passar impune este achado, sem proferir também a sua sentença. O Tims é um café e padaria dentro de um museu localizado em Santos. E não, não têm de pagar entrada no museu para poder desfrutar das suas iguarias. A principal premissa porque se regem é a de que o café, pastelaria caseira e brunchs lentos são, em si, uma forma de arte e parte da cultura.
Tive de ir conhecer. O aspeto na conta de instagram era de milhões, mas bem sabemos como, às vezes, as fotografias enganam e as expectativas vão por água abaixo. Pois bem, o Tims prometeu sabores e um brunch diferenciador… e entregou.
À chegada, pedimos três pratos para partilhar: Turkish eggs, Hash Brown with Salmon e Omelet with red caviar. Traduzindo para português: tudo de grande qualidade.
Começamos pelos Turkish eggs (iogurte, anduia, tomate seco, alcaparras e focacia a acompanhar). Um prato fresco e ao mesmo tempo denso em sabores. A combinação da frescura do iogurte com o tomate seco e da anduia, um salame típico da região da Calábria de textura pastosa e picante, era simplesmente divinal.
O pão caseiro que trouxeram para acompanhar, fofo por dentro e estaladiço na sua côdea, foi a forma perfeita de fechar o prato número um.
Seguimos para Hash brown with salmon (batata rosti, que consiste numa camada de batatas raladas e fritas, criando uma crosta dourada e um interior macio; salmão fumado, ovos escalfados, molho holandês e tzatziki. Tenho a dizer, se fiquei rendida à combinação de sabores dos Turkish eggs, com o segundo prato fiquei impressionada pelo conforto que me trouxe (perceberão quando provarem).
Salmão e ovos, aquilo a que mais estamos habituados a ver num brunch. Porém, ali o seu uso foi feito de uma forma inovadora e nada aborrecida. Uma camada de batata, espinafres, salmão e o ovo escalfado com molho holandes… uma delícia e para refrescar o palato e ajudar a contrastar com o sabores quentes, o fresco do tzatziki.
O terceiro prato que provamos foi a omelete com o caviar vermelho… Não impressionou, talvez por se ter seguido a dois pratos com uma identidade e presença tão própria. O caviar vermelho para mim não funcionou, mas atenção, é um gosto pessoal. A omolete era de ótima qualidade, mas depois de dois pratos irreverentes, a omelete não acrescentou muito. Por isso mesmo, talvez não fique nas minhas sugestões. Quem for à procura de um brunch ou almoço único, há outros pratos a provar.
De bebidas, optamos pelo cherry cold brew (gelo, xarope de cola e espuma de cereja) e ice cocoa (chocolate gelado também com a espuma de cereja). Tínhamos curiosidade em experimentar o matcha layers strawberry, uma bebida com puré de lima e morango, água de coco e espuma de matcha… parece ótimo,mas já não havia. As bebidas são, sem dúvida, diferentes dos típicos smoothies ou sumos saudáveis dos brunchs. No entanto, não sei se aconselharia para acompanhar as refeições. Diria que estas bebidas são um bom par para acompanhar pastelaria ou, simplesmente, para quem estiver de passagem para um “café”.
Ter pratos com tantos sabores na mesa juntamente com bebidas igualmente complexas foi como ter vários atores a lutar pelo papel principal, não resultou. Para acompanhar a refeição, talvez um sumo, uma bebida fresca simples combine na perfeição sem tirar o protagonismo dos pratos.
O Tims é um espaço vibrante. Um cenário de romcom, onde cada pessoa parece um ator pago para construir aquele ambiance. Amigas em grupo a trabalhar, pessoas sozinhas ao computador, casais à conversa… cada elemento no seu total main character moment. Aqui, por exemplo, uma bebida colorida encaixaria na perfeição.
Para encerrar e já bem alimentadas, pedimos o Monkey bread, que consiste num bolinho feito de pedaços de massa de croissant embebidos numa calda de açúcar e canela e o Ping in a Blanket, um folhado de salsicha, queijo raclette, relish, um condimento agridoce de vegetais com vinagre e açúcar e ketchup. Parece uma confusão de sabores, mas era uma confusão boa. O folhado de salsicha com os sabores agridoces funcionava lindamente. O monkey bread poderia ter sido melhor, mas o timing não ajudou… umas horas mais cedo, acabados de sair do forno, seriam uma delícia.
A nossa ideia era a de partilhar alguma pastelaria doces, mas à hora que fomos (12:45) já não havia muita variedade. Certamente, iremos voltar para provar o que ficou por ser sentenciado. Desta forma, deixo o conselho: caso queiram provar a pastelaria e desfrutar do brunch vão mais cedo, até porque às 13:00 a cozinha muda e deixa de confecionar os pratos de brunch e passa para outros como saladas, massas, pizzas…
No final, o Tims passa sem dúvida ilibado de qualquer acusação de ser “só mais um brunch em Lisboa” no vosso The verdict. Comida ótima, sabores únicos e uma atmosfera muito glitter.
Fica o conselho.
Vemo-nos no próximo caso.
Artigo por Catarina Ogando
#GlitterUpYourLife