Férias marcadas, malas quase feitas… e uma dúvida que surge em muitas futuras mães nesta altura do ano: afinal, é seguro viajar durante a gravidez? A resposta é, na maioria dos casos, sim. Mas há alguns cuidados que podem fazer toda a diferença para que a viagem decorra de forma confortável e segura.
Segundo Ana Domingos (@babieseverywhere_), enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstétrica, uma gravidez de baixo risco não significa que seja preciso abdicar das férias. “A gravidez não significa deixar de viver ou cancelar férias, significa apenas adaptar alguns planos e ouvir mais o nosso corpo. Ainda assim, existem alguns cuidados importantes que podem fazer toda a diferença para uma viagem mais tranquila e confortável”, explica.
Uma das maiores preocupações prende-se com as viagens de avião. De acordo com a especialista, voar é considerado seguro nas gravidezes de baixo risco, sendo habitualmente permitido até às 36 semanas numa gravidez de bebé único e até às 32 semanas em gravidezes gemelares, embora estas regras possam variar consoante a companhia aérea. Antes de viajar, é aconselhável confirmar as condições da transportadora e, se necessário, obter uma declaração médica.
Durante o voo, há pequenos gestos que ajudam a tornar a viagem mais confortável: escolher um lugar junto ao corredor, usar corretamente o cinto de segurança por baixo da barriga, levantar-se para caminhar regularmente, manter uma boa hidratação e, em viagens mais longas, considerar a utilização de meias de compressão para melhorar a circulação e reduzir o inchaço.
Também as viagens de carro exigem alguns cuidados. O cinto deve ser colocado corretamente, com a faixa inferior ajustada às ancas e nunca sobre a barriga. Além disso, é importante fazer pausas de duas em duas horas para caminhar, beber água com frequência e optar por roupa confortável, sobretudo durante os meses mais quentes.
Nem todos os destinos são aconselhados durante a gravidez. Países com maior risco de doenças infeciosas, acesso limitado a cuidados de saúde ou que exijam vacinas desaconselhadas nesta fase devem ser ponderados com o profissional que acompanha a gravidez. O mesmo acontece em situações de gravidez de alto risco, pré-eclâmpsia ou risco de parto prematuro, casos em que a viagem pode mesmo não ser recomendada.
Antes de partir, Ana Domingos aconselha ainda uma pequena checklist: confirmar com o obstetra ou enfermeira especialista que não existe qualquer contraindicação, levar o boletim de grávida e os exames mais importantes, verificar o seguro de viagem, identificar previamente onde existe apoio médico no destino e adaptar o ritmo da viagem à fase da gravidez.
A especialista deixa, por fim, uma mensagem tranquilizadora para todas as futuras mães: “Em qualquer tipo de viagem durante a gravidez, o mais importante é ouvir o seu corpo, respeitar o ritmo desta fase e adaptar os planos ao momento que está a viver. Com alguns cuidados e planeamento, as férias também podem ser uma ótima oportunidade para abrandar, descansar e aproveitar este tempo, antes da chegada do bebé.”
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