O verdadeiro legado da princesa Diana foi tornar normal aquilo que antes era impensável

Todos os anos, quando chega o aniversário de Diana, Princesa de Gales, voltam as mesmas imagens: o vestido da vingança, os paparazzi, o casamento com o então príncipe Carlos ou a sua morte trágica em Paris. Mas talvez o seu legado mais importante seja outro. E, curiosamente, é aquele de que menos se fala.

Hoje parece perfeitamente normal vermos membros da família real a abraçar pessoas, a sentarem-se no chão para brincar com crianças ou a falarem sobre saúde mental. Em grande parte, isso começou com Diana.

Antes dela, a monarquia britânica era construída à distância. Os membros da família real eram figuras quase intocáveis, com gestos medidos ao milímetro e uma enorme barreira emocional entre eles e o público. Diana mudou essa ideia sem nunca anunciar que o estava a fazer.

Foi uma das primeiras figuras públicas a mostrar afeto de forma espontânea, a aproximar-se das pessoas sem protocolo e a quebrar regras silenciosas da realeza. Sentava-se no chão para falar com crianças, ajoelhava-se para ficar à altura delas, ria sem filtros e fazia questão de olhar as pessoas nos olhos. Pequenos gestos que hoje parecem banais, mas que, na altura, eram profundamente revolucionários.

Também foi ela quem mostrou que vulnerabilidade não é incompatível com força. Falou publicamente sobre saúde mental, depressão pós-parto, bulimia e inseguranças numa época em que estes temas raramente saíam da esfera privada, muito menos quando se tratava de uma princesa. Sem o saber, abriu caminho para que figuras públicas falassem de emoções de forma muito mais natural.

Até a forma como educou William e Harry rompeu com a tradição. Levou-os a parques de diversões, restaurantes de fast food, transportes públicos e hospitais, tentando mostrar-lhes um mundo para lá dos portões dos palácios. Queria que os filhos conhecessem a realidade das pessoas comuns e não crescessem isolados pela instituição.

O mais curioso é que muitas das atitudes pelas quais Diana ficou conhecida são hoje a norma dentro da própria família real. William e Catherine, por exemplo, são frequentemente elogiados pela proximidade com o público e pela forma descontraída como educam os filhos. Harry fez da saúde mental uma das suas principais causas. E até o atual rei Carlos III adotou uma postura muito mais próxima daquela que existia há quatro décadas.

Talvez seja esse o verdadeiro legado de Diana. Não apenas os vestidos icónicos, as fotografias ou as capas de revista. Mas o facto de ter mudado, de forma quase invisível, a maneira como esperamos que as figuras públicas se comportem.

Porque algumas pessoas mudam a história através de grandes discursos. Diana mudou-a através de pequenos gestos que, anos depois, deixaram simplesmente de parecer extraordinários.

Happy Birthday, Lady Di.

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