Férias escolares: como gerir os filhos em casa durante as férias!

As férias escolares começam – quase – sempre da mesma forma. Os pais imaginam dias de praia divertidos, pequenos-almoços tranquilos e momentos inesquecíveis em família.

As crianças imaginam entretenimento permanente, snacks ilimitados e um adulto disponível para brincar vinte e quatro horas por dia.

Ao fim de três dias, ninguém está exatamente satisfeito.

Se tem filhos, provavelmente conhece a sensação: ainda nem são 10h da manhã e já ouviu vinte vezes “mãããããe!” ou “estou aborrecido”, separou duas discussões, distribuiu snacks como se estivesse a gerir um pequeno festival de verão e perguntou a si própria se setembro não estará, afinal, assim tão longe.

Páre. Sinta a sua respiração. E lembre-se: Não está a falhar. Está simplesmente a viver uma experiência muito comum chamada “férias escolares”.

A expectativa que nos deixa exaustos

    Um dos maiores desafios das férias não são as crianças. São as expectativas dos adultos.

    Muitos pais chegam ao verão com uma lista invisível de objetivos:

    – Proporcionar memórias inesquecíveis

    – Organizar atividades enriquecedoras

    – Manter a casa minimamente funcional

    – Continuar a trabalhar

    – Estar emocionalmente disponível

    – Garantir que os filhos não passam demasiado tempo nos ecrãs

    – E, se possível, aproveitar o verão.

    O desafio é que tentar cumprir tudo isto ao mesmo tempo é uma receita quase garantida para a frustração. As férias não precisam de ser perfeitas para serem boas. Aliás, as melhores memórias de infância raramente nascem de dias impecavelmente planeados.

    O segredo que as crianças não gostam de ouvir: o tédio faz bem

      Vivemos numa cultura que parece acreditar que uma criança aborrecida é uma emergência.

      Não é. O tédio desempenha um papel importante no desenvolvimento da criatividade, da autonomia e da capacidade de resolução de problemas. Quando uma criança diz “não sei o que fazer”, muitos pais sentem a necessidade imediata de apresentar quinze sugestões. Mas nem sempre é preciso. Por vezes, a resposta mais saudável é: “Tenho a certeza de que vais encontrar alguma coisa.”

      Pode parecer um pequeno detalhe, mas esta mensagem transmite confiança na capacidade da criança para se entreter e encontrar soluções.

      Há também uma ideia curiosa de que os pais modernos devem proporcionar entretenimento constante. No entanto, as crianças não precisam de um programa de animação permanente.

      Precisam de ligação, presença e alguma estrutura. Não é a mesma coisa. Uma hora de atenção genuína vale muitas vezes mais do que um dia inteiro de atividades organizadas com um adulto exausto e mentalmente ausente.

      Crie uma estrutura leve

        As crianças sentem-se mais seguras quando existe alguma previsibilidade.

        Não estamos a falar de horários militares. Estamos a falar de pequenas âncoras ao longo do dia.

        Por exemplo: Uma manhã para atividades mais ativas, um almoço em família, algum tempo livre, um momento de leitura ou descanso ou uma atividade ao final da tarde.

        Quando existe uma estrutura básica, diminuem as negociações constantes e as perguntas infinitas sobre o que vai acontecer a seguir. E a saúde mental dos pais agradece.

        Os ecrãs não são o inimigo público número um

          Utilizar o mínimo de ecrãs é o ideal, porém utilizar ecrãs de vez em quando (claro!) tendo em sempre em atenção a idade da criança, não faz de ninguém um mau pai ou uma má mãe. Vale a pena lembrar que a culpa parental raramente é uma boa conselheira. O importante não é procurar a perfeição, mas o equilíbrio. Importa sim que os ecrãs sejam limitados no tempo, supervisionados e que coexistam com brincadeira livre, atividade física, contacto social e momentos em família.

          Pare de tentar fazer tudo

            Muitas famílias entram em modo “superprodução de verão”.

            Praia. Museus. Parques. Workshops. Campos de férias. Passeios. Eventos. Mais passeios. Mais atividades. Mais fotografias. Mais cansaço. A verdade é que o sistema nervoso também precisa de pausas. As crianças beneficiam de dias simples. Os adultos também. Nem todos os dias têm de ser memoráveis. Alguns podem simplesmente ser tranquilos.

            Cuide da sua regulação emocional

              Esta é provavelmente a sugestão mais importante.

              As crianças não aprendem regulação emocional quando os pais estão sempre calmos.

              Aprendem quando observam os adultos a lidar com emoções reais de forma saudável.

              Por isso, se estiver cansada, frustrada ou sem paciência, não precisa de fingir que está tudo bem.

              Pode dizer: “Estou a sentir-me um pouco cansada. Preciso de dez minutos para recuperar energia.”

              Esta é uma oportunidade valiosa para ensinar limites, autocuidado e inteligência emocional.

              A regra de ouro das férias

                As crianças não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais suficientemente disponíveis, suficientemente regulados e suficientemente humanos. Daqui a alguns anos, os seus filhos provavelmente não se vão lembrar de todas as atividades que organizaram, mas irão recordar-se da forma como se sentiram consigo.

                Dos gelados partilhados. Das gargalhadas inesperadas. Das conversas antes de dormir.

                Dos dias simples. Por isso, se as férias já começaram e sente que está a perder a paciência mais vezes do que gostaria, lembre-se: Não precisa de criar o verão perfeito.

                Precisa apenas de (sobre)viver os meses de julho e agosto com a sua sanidade mental suficientemente intacta. E, convenhamos, isso já é um excelente objetivo.

                Escolha viver, essencialmente, este período com curiosidade!

                Vai/vamos conseguir! ☺

                Artigo Por Helena Paixão
                Psicóloga Clínica. CEO & Founder da Clínica Helena Paixão – Psicologia, Mindfulness e Desenvolvimento Pessoal
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