Estarei a tornar-me na minha mãe?
Sabem aquela teoria que diz que, ao longo da vida, acabamos por repetir comportamentos dos nossos pais?
Mesmo aqueles com os quais jurávamos nunca nos identificar?
A verdade é que já foram várias as amigas que me disseram:
“Bruna… eu tornei-me na minha mãe.”
As manias.
Os tiques.
As frases feitas.
Os comportamentos em casa.
A forma de reagir ao stress.
Até aquelas expressões que em tempos nos irritavam… e que agora saem da nossa boca de forma automática.
E eu pergunto-me: será isto inevitável?
Hoje fala-se muito de “mommy issues” e “daddy issues”. Falamos sobre ausências, traumas, padrões familiares, feridas emocionais. Crescemos a observar os erros dos nossos pais e a prometer a nós próprios:
“Eu nunca vou ser assim.”
“Nunca vou repetir isto.”
E, muitas vezes, até conseguimos quebrar certos padrões.
Mas será possível escapar completamente à influência das pessoas que nos criaram?
Na psicologia existe uma ideia interessante: nós aprendemos através da observação. Desde crianças, absorvemos comportamentos, gestos, hábitos e formas de pensar quase sem nos apercebermos. Os nossos pais são o primeiro espelho através do qual entendemos o mundo — e também a nós próprios.
Talvez seja por isso que certas coisas ficam gravadas tão fundo dentro de nós.
Não porque queremos copiar os nossos pais.
Mas porque passámos anos a observá-los viver.
E há algo quase filosófico nisto tudo: passamos metade da vida a tentar perceber quem somos… para depois descobrir que uma parte de nós já existia muito antes de nascermos, escondida nos pequenos hábitos de quem nos criou.
Eu própria prometi a mim mesma que nunca seria loira.
Via a minha mãe a retocar a raiz do cabelo todos os meses e pensava: “Que trabalheira.”
Botas altas?
Calças de cintura baixa?
Cintos gigantescos?
Jamais.
E sentar-me no banco da igreja ao lado da porta? Nunca.
Se é para ir à missa, sentamo-nos à frente, não é?
…Pois.
Hoje tenho 27 anos, o cabelo totalmente loiro, adoro calças de cintura baixa, não vivo sem botas de salto alto… e Deus me livre de me sentar nas primeiras filas da igreja.
(E sim, eu sei que estes assuntos não têm nada a ver uns com os outros.)
Mas talvez seja exatamente essa a parte mais engraçada.
Não nos tornamos cópias dos nossos pais.
Tornamo-nos versões de nós próprios carregando pequenos fragmentos deles.
Os seus maneirismos.
As suas expressões.
Os seus gostos.
As pequenas rotinas que, em tempos, pareciam irrelevantes.
E talvez crescer seja precisamente isto: perceber que há coisas que herdamos no sangue… e outras que herdamos na convivência.
Quer gostemos ou não.
Artigo Por Bruna Coelho Pereira
#GlitterUpYourLife