Ser vulnerável tem má fama. Não merece.

Durante muito tempo, ser forte significava não deixar transparecer nada. Aguentar, sorrir, responder “estou bem” com convicção suficiente para que ninguém perguntasse mais. Mostrar o que magoava ou o que assustava era uma forma de fraqueza, e que a fraqueza era uma coisa a esconder, como um buraco na meia ou uma dívida no banco.

Estávamos tão enganados.

O que é realmente a vulnerabilidade

A investigadora Brené Brown passou mais de vinte anos a estudar vulnerabilidade, vergonha e coragem, e a conclusão mais importante que tirou é também a mais contraintuitiva: a vulnerabilidade não é fraqueza. É a medida mais precisa de coragem que existe. É aparecer quando não há garantias de resultado. É dizer o que sentes quando não sabes como vai ser recebido. É pedir ajuda quando tens medo de parecer que não consegues.

A confusão vem do facto de a vulnerabilidade ser desconfortável. E o desconforto, durante muito tempo, foi-nos ensinado como sinal de que algo estava errado. Não está. Significa que algo importa.

O que acontece quando nos fechamos

A tentação de se fechar é compreensível e humana. Se não mostras o que sentes, não podes ser magoada. Se não dizes o que queres, não podes ser rejeitada. Se não te expões, não podes falhar em público. É uma lógica de proteção que faz sentido a curto prazo e cobra um preço enorme a longo prazo.

Porque quando bloqueamos a vulnerabilidade, não bloqueamos apenas a dor. Bloqueamos tudo. A alegria, a intimidade, a criatividade, a ligação genuína a outras pessoas. Não se consegue selecionar emoções. Fechamo-las todas ou abrimo-las todas. A armadura que nos protege do sofrimento também nos afasta da vida que queremos ter.

O que a vulnerabilidade permite

Quando alguém diz em voz alta que está a lutar, que tem medo, que não sabe o que está a fazer, acontece uma coisa curiosa: as outras pessoas aproximam-se. Não se afastam, como o medo nos faz acreditar. A honestidade cria pontes que a perfeição nunca consegue criar, porque toda a gente, sem exceção, conhece o sentimento de não chegar lá, de estar assustada, de se sentir perdida às vezes.

A vulnerabilidade é o que permite relações reais. Não as versões polidas e cuidadosamente editadas que mostramos nas redes sociais, mas o tipo de relação em que uma pessoa te conhece de facto e continua à mesma. Esse tipo de ligação só existe quando te arriscas a ser vista.

É também o que permite crescer. Porque crescer implica tentar coisas em que podes falhar. Implica dizer “não sei” e aprender. Implica mudar de ideias em público, pedir desculpa quando erras, recomeçar depois de uma queda. Nada disso é possível sem vulnerabilidade.

Como começar, na prática

Não se torna vulnerável de um dia para o outro, e não faz sentido fazê-lo com toda a gente em qualquer contexto. A vulnerabilidade não é desabafar com estranhos nem partilhar tudo nas redes sociais. É uma escolha deliberada de honestidade com as pessoas certas, nos momentos certos.

Começa pequeno. Diz a um amigo que precisas de ajuda com alguma coisa. Admite que não sabes a resposta em vez de inventar uma. Conta a alguém de confiança o que te está a pesar, em vez de continuar a dizer que está tudo bem quando não está.

Repara no que acontece. Não o que temes que aconteça, mas o que acontece de facto.

Na maioria dos casos, o que acontece é que a outra pessoa respira fundo e diz: eu também sinto isso. E é nesse momento que a ligação real começa.

A coragem de ser vista

Ser vulnerável não é garantia de que não vais ser magoada. Às vezes vais. Mas é a única forma de ter uma vida em que os momentos bons são realmente teus, vividos a fundo, e não vistos de longe atrás de um vidro protetor.

A armadura mantém-te segura. Mas também te mantém sozinha.

E entre as duas opções, a coragem de ser vista, imperfeita e real, parece sempre a mais interessante.

#GlitterUpYourLife