Há uma fotografia muito específica que aparece nas redes sociais de quem viaja em trabalho. Uma chávena de café bonita, a asa do avião vista pela janela, uma vista incrível do quarto de hotel e uma legenda qualquer sobre “mais uma aventura”. O que normalmente não aparece é a parte em que a pessoa acordou às quatro da manhã para apanhar o voo, passou seis horas em reuniões e jantou uma sanduíche no quarto porque já não tinha energia para mais nada.
As viagens de trabalho vivem nesta zona cinzenta muito curiosa. Para quem vê de fora, parecem férias. Para quem vai, nem sempre.
Claro que existem vantagens. Conhecer cidades novas, dormir em hotéis diferentes, experimentar restaurantes e quebrar a rotina são privilégios que muitas profissões oferecem. Há algo de estimulante em trabalhar num ambiente diferente e descobrir lugares que provavelmente nunca visitaríamos de outra forma.
Mas existe também o outro lado. O lado dos aeroportos, dos atrasos, das malas feitas à pressa e da tentativa de responder a emails enquanto se corre para uma reunião. O lado de acordar numa cidade bonita e perceber que só vais conseguir vê-la através da janela de um táxi. O lado de estares num hotel incrível mas passares mais tempo na sala de conferências do que junto à piscina.
E depois há a questão emocional. Quando somos mais novos, as viagens de trabalho parecem glamorosas. Depois crescemos, construímos rotinas, temos família, amigos, filhos ou simplesmente uma cama de que gostamos muito. E começamos a perceber que há uma diferença entre querer viajar e ter de viajar.
A verdade é que a maioria das viagens profissionais são um pouco dos dois: obrigação e privilégio. São cansativas e excitantes. Exigem esforço, mas oferecem experiências. Fazem-nos sentir livres e exaustos ao mesmo tempo.
Talvez seja por isso que existe sempre um momento muito específico em qualquer viagem de trabalho. Aquele instante em que finalmente fechamos o computador, terminamos o último compromisso do dia e conseguimos sair para dar uma volta sem pressa. É aí que a obrigação dá lugar ao lazer. Nem que seja apenas durante uma hora.
Porque todas as viagens de trabalho têm um pequeno turista escondido lá dentro, à espera de encontrar tempo para aparecer.
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