Que tipo de festivaleira és tu?

Julho ainda não chegou mas já estás a pensar no outfit. Conheces bem esse sentimento. A questão é que nem todas as festivaleiras são iguais, e a forma como cada uma vive um festival diz muito sobre quem é fora dele também.

A que planeia tudo com seis meses de antecedência

Já tem o cartaz decorado. Sabe os horários de todos os artistas que quer ver, identificou os conflitos de palco e tomou decisões difíceis com uma serenidade que devia ser estudada. A tenda já está montada em casa para testar. O kit de primeiros socorros tem medicamentos para cenários que ainda não aconteceram. É a pessoa mais útil do grupo e também a que sofre mais quando o plano falha, e o plano falha sempre algures.

A que vai “só ver um bocadinho” e fica até ao fim

Não era bem a sua cena. Foi convencida por uma amiga. Não conhecia metade dos artistas. E ainda assim é a última a sair, de botas cheias de lama, completamente convertida, a dizer que este foi o melhor fim de semana da sua vida. Aparece em todos os festivais sem intenção prévia. O festival encontra-a a ela.

A que vive para o outfit

O festival é o contexto, o look é o propósito. Pesquisou tendências, foi a três lojas em segunda mão, mandou fazer uma peça à medida e tem três opções para cada dia consoante o tempo. Não está errada. Está apenas a levar a sério uma parte do festival que toda a gente secretamente valoriza mas poucas admitem. As fotografias dela ficam sempre bem.

A que se perde e fica bem assim

Não tem mapa, não tem plano, não tem bateria no telemóvel às duas da tarde. Vai parar a palcos que não estavam na agenda, descobre artistas que não conhecia, acaba a dançar com pessoas cujos nomes nunca vai saber. Perde metade dos concertos que queria ver e não se arrepende de nenhum. Vive o festival de uma forma que só é possível quando se larga o controlo completamente.

A que trata de toda a logística do grupo

Comprou os bilhetes de todos. Organizou as boleia ou os comboios. Reservou o parque de campismo. Sabe onde são as casas de banho mais limpas e a que horas fecha a zona de alimentação. Não é glamoroso mas é ela que mantém o grupo unido e funcional. Merecia um prémio. Recebe um obrigada coletivo no final e isso tem de chegar.

A que vai pelo ambiente e fica pela música

Entrou no festival convencida de que o que queria era socializar, petiscar, passear entre palcos com um copo na mão. E depois começou a tocar aquela música e aconteceu alguma coisa no peito e ficou parada em frente ao palco durante quarenta minutos sem se mexer. Descobriu que afinal também é do género de pessoa que chora em concertos. Não estava à espera. Os melhores festivais fazem isso.

A que já foi a todos mas continua a ir

Tem festivais acumulados como carimbos no passaporte. Já viu os headliners de hoje quando ainda eram alternativos. Reclama que os festivais ficaram caros e cheios mas compra o passe no primeiro dia de venda. Não consegue não ir. O festival deixou de ser um evento e passou a ser uma forma de medir o tempo, de saber onde estava naquele verão, de se lembrar de quem estava ao lado.

Com qual te identificas? Provavelmente com mais do que uma. Os melhores festivais são grandes o suficiente para conter todas estas versões de nós.

#GlitterUpYourLife