Metamorfose: Episódio 14 Coisas que me irritam (mais do que deviam)

Há coisas que me irritam.
Mas não estou a falar de grandes problemas, de situações graves ou de coisas que realmente têm importância.
Estou a falar daquelas pequenas coisas… que não deviam ter impacto nenhum, mas que conseguem, mesmo assim, mexer comigo.

E às vezes penso: “isto é normal… ou sou só eu?”

Por exemplo, atrasos.
Nada me tira mais do sério do que atrasos evitáveis. Não estou a falar de imprevistos, esses acontecem. Mas quando é recorrente, quando é falta de organização, quando eu planeio tudo para estar a horas e do outro lado há um “já estou a sair” quando ainda nem começaram a arranjar-se…

Irrita-me. Mais do que devia.
Se por vezes eu também me atraso, sim, mas nos outros, irrita-me.

Outra coisa: mudanças de planos à última da hora.
Eu sei que devia ser mais flexível. Eu sei que nem tudo pode ser controlado. Mas quando já tenho tudo organizado na minha cabeça, horários, logística, expectativas e de repente tudo muda…parece que me desorganizam por dentro.
E não é só a mudança em si. É a sensação de perder o controlo de algo que eu já tinha “resolvido”.

Também me irrita o clássico “logo se vê”.
Para algumas pessoas é leve, descontraído. Para mim… é quase um gatilho.
Porque eu gosto de saber com o que contar. Gosto de planear, de organizar, de antecipar. E quando alguém responde com um “não sei, logo se vê”, na minha cabeça isso traduz-se em incerteza. E a incerteza, para mim, não é confortável.

E depois há aquelas pequenas coisas do dia-a-dia:
Pessoas que não respondem.
Falta de clareza.
Desorganização.
Coisas mal combinadas.
Pequenos detalhes… que, juntos, conseguem ter um impacto maior do que deviam.
E durante muito tempo pensei que o problema eram essas situações.
Mas, na verdade, comecei a perceber que o problema, ou pelo menos parte dele, está na forma como eu reajo a elas. Porque estas coisas dizem muito mais sobre mim do que sobre os outros.
Dizem que eu gosto de controlo.
Dizem que eu preciso de previsibilidade.
Dizem que a desorganização externa me desorganiza internamente.

Mas também percebi que nem toda a gente funciona assim.
Há pessoas mais leves, mais espontâneas, mais “deixa acontecer”. E isso não está errado, mas irrita-me.

O desafio está em encontrar um equilíbrio.
Em não deixar que estas pequenas irritações tomem conta do meu estado de espírito.
Em perceber que nem tudo é um ataque pessoal, nem tudo é falta de consideração, nem tudo tem a intenção que eu às vezes atribuo.
Às vezes… é só a forma de ser do outro lado.

E talvez crescer também seja isto:
Não deixar que pequenas coisas tenham um impacto gigante.
Não reagir a tudo.
Escolher o que realmente merece energia… e o que pode simplesmente ser deixado passar. Porque, no final do dia, não são estas pequenas coisas que definem a nossa vida. Mas a forma como reagimos a elas… pode definir muito mais do que imaginamos.
E isso também me irrita.

Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife