Orgasmo feminino vs. masculino: somos assim tão diferentes?

Falamos pouco sobre orgasmos. Falamos ainda menos sobre as diferenças entre eles. E quando falamos, é quase sempre a partir de uma perspetiva muito masculina, como se o orgasmo masculino fosse a norma e o feminino a exceção complicada. Este artigo existe para mudar isso.

A mecânica básica

Do ponto de vista fisiológico, o orgasmo funciona de forma semelhante em todos os corpos: uma acumulação de tensão sexual seguida de uma libertação involuntária, com contrações musculares rítmicas, aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da respiração, e uma inundação de dopamina, oxitocina e endorfinas no cérebro. A sensação de prazer e relaxamento que se segue é, em traços gerais, partilhada por todos.

Mas as diferenças são reais, e vale a pena conhecê-las.

O tempo

Esta é provavelmente a diferença mais conhecida e menos discutida com honestidade. Os homens atingem o orgasmo, em média, em três a cinco minutos de estimulação. As mulheres precisam, em média, de 20 a 25 minutos. Não é uma falha nem uma lentidão: é simplesmente anatomia. O clítoris, o principal órgão do prazer feminino, tem oito mil terminações nervosas, o dobro da glande masculina, e responde melhor a estimulação progressiva e prolongada do que a uma abordagem rápida e direta.

O orgasmo feminino é plural

Uma das diferenças mais significativas é que o orgasmo feminino não é um evento único com uma única origem. Existe o orgasmo clitoriano, o mais comum e o mais facilmente atingível para a maioria das mulheres. Existe o orgasmo vaginal, associado à estimulação do ponto G, que é na verdade a raiz interna do clítoris. Existe o orgasmo cervical, mais profundo e descrito como mais expansivo. E existem orgasmos não genitais, provocados por estimulação dos mamilos, do pescoço ou até, em alguns casos, apenas pela mente.

Os homens têm também diferentes tipos de orgasmo, incluindo o orgasmo prostático, ainda largamente inexplorado por muitos, que é descrito como mais intenso e difuso do que o orgasmo convencional. Mas culturalmente, a pluralidade do prazer masculino tem sido muito menos investigada e discutida.

O período refratário

Depois do orgasmo, os homens entram num período refratário durante o qual um novo orgasmo não é possível. Este período varia com a idade: pode ser de minutos nos mais jovens e de horas ou dias em idades mais avançadas. As mulheres não têm período refratário, o que significa que são biologicamente capazes de ter orgasmos múltiplos consecutivos, embora isso não aconteça automaticamente nem para todas.

Esta diferença é real, mas tem sido usada de forma redutora nas duas direções: para pressionar as mulheres a performar algo que nem sempre acontece espontaneamente, e para desculpar a pouca atenção dada ao prazer feminino depois da ejaculação masculina.

O orgasm gap

Existe um termo para a desigualdade no prazer: orgasm gap. Estudos consistentes mostram que em encontros heterossexuais, os homens atingem o orgasmo em cerca de 95% das vezes, enquanto as mulheres reportam orgasmo em apenas 65% dos encontros com parceiro, número que sobe para mais de 85% quando se trata de encontros entre mulheres. A diferença não é anatómica. É cultural, comunicacional e educacional.

O orgasm gap diminui significativamente quando há comunicação aberta sobre o que funciona, quando a estimulação clitoriana é incluída de forma consistente e quando o prazer feminino deixa de ser tratado como bónus e passa a ser tratado como ponto de partida.

O que têm em comum

Para além das diferenças, há algo que une todos os orgasmos independentemente do corpo que os vive: a dimensão emocional e psicológica é determinante. O stress, a ansiedade, a falta de confiança, a pressão de performance e a desconexão do próprio corpo são os maiores inimigos do prazer, em qualquer género. O orgasmo não acontece apenas no corpo. Acontece, acima de tudo, na cabeça.

E talvez seja por aí que vale a pena começar: pela conversa, pela curiosidade e pela decisão de tratar o prazer de todos os corpos com a mesma seriedade.

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