Glitter Bunny – “E se o teu prime não tiver idade?”

Tenho 27 anos. E, desde que fiz 22, uma das frases que mais ouço é: “Aproveita para arranjar alguém, planeia a tua vida, pensa em ser mãe, porque o teu prime não dura para sempre.”

O meu prime não dura para sempre?

Esta questão do prime feminino é, curiosamente, um assunto reservado quase exclusivamente às mulheres. A sociedade assume que temos uma espécie de data de validade um período dourado, limitado e urgente após o qual começamos a declinar.

Mas… e se o prime não for uma idade, mas uma relação connosco?

Não vemos este tipo de etiqueta colada nos homens. Pelo contrário: filmes, séries, bandas desenhadas e até certos “estudos científicos” partilhados naquelas páginas estranhas do Instagram dizem-nos que os homens, quanto mais velhos, melhor. Mais conscientes, mais maduros (como se aos 40 anos não devesses já ser um adulto funcional há duas décadas)  mais bonitos, mais desejados, mais carismáticos. Mulheres dos 20 aos 40 anos a competirem pela atenção de um charmoso daddy com 55.

Nunca ouviram dizer que “a mulher envelhece como o leite e o homem como o vinho”? Pois.

Mas aqui está o que tenho observado na realidade, longe das narrativas convenientes: as mulheres, em qualquer faixa etária, dão espetáculo. Fazem mais exercício, cuidam-se mais, comem melhor, mantêm relações sociais mais ricas e profundas, investem na saúde mental, constroem comunidade.

Envelhecer como o leite? Honestamente, já me vi a desejar ter a pele, a cara e a atitude de muitas mulheres com 40 anos.

A autora Glennon Doyle escreveu em Untamed: “Uma mulher que finalmente aprendeu a não se desculpar é a coisa mais aterradora e mais bela do mundo.” E é precisamente isso que vejo nas mulheres que me rodeiam à medida que ganham anos — menos desculpas, mais presença.

E talvez seja precisamente isso o verdadeiro prime.

Não o momento em que somos mais novas, mais desejadas ou mais próximas de uma ideia socialmente aceite de beleza. Mas o momento em que começamos finalmente a pertencer-nos. Quando deixamos de viver para corresponder e começamos a viver para sentir. Quando já não estamos tão preocupadas em sermos escolhidas, porque aprendemos a escolher-nos também.

Obviamente, sabemos de onde vem tudo isto. Uma cultura que historicamente priorizou o homem tem estas consequências: ensina as mulheres a correr contra o relógio, enquanto os homens simplesmente existem no tempo.

Mas e nós? O que devemos pensar?

Da minha parte, cresci rodeada de mulheres lindas, cheirosas, bem-arranjadas e trabalhadoras. Mulheres que me ensinaram, sem discursos, que a feminilidade não expira. E, desde cedo, construí a minha própria resposta a esta narrativa:

Serei a minha melhor versão possível aos 30. A minha melhor versão possível aos 40. A minha melhor versão possível aos 50. A minha melhor versão possível aos 60.

Porque talvez o auge não seja um pico. Talvez seja uma construção.

O objetivo não é conservar uma juventude eterna — com a imaturidade, a falta de estrutura e os choros às três da manhã que essa juventude carrega. O objetivo é evoluir. Assumir que o tempo passa — e ainda bem — e que a missão é estarmos no nosso melhor em cada etapa da vida. Não apenas fisicamente, mas também mental e socialmente.

Talvez o verdadeiro prime seja olharmo-nos ao espelho e reconhecermo-nos. Gostarmos da pessoa em que nos tornámos. Sentirmo-nos em casa dentro de nós próprias.

Investir na saúde, fortalecer as ligações com os outros e connosco próprias, e lembrar, cada vez mais, que vivemos uma vez e temos de aproveitar ao máximo — sem comparações, com aceitação.

A psicóloga e investigadora Brené Brown resumiu bem: “A aceitação de si própria não é a ausência de ambição. É a fundação a partir da qual toda a ambição faz sentido.”

Este é o verdadeiro goal: olharmos para nós próprias e acreditarmos, genuinamente, que a nossa versão de há cinco anos ficaria orgulhosa. Feliz. Que nos olharia como um exemplo — sendo que nós somos ela.

Em conclusão: estarei no meu prime aos 20. Estarei no meu prime aos 30. Estarei no meu prime aos 40. E estarei, com toda a certeza, no meu prime aos 90 — a nonagenária mais incrível, bem-disposta e estilosa que alguma vez existiu. As minhas bisnetas serão as bisnetas mais sortudas do mundo.

Juro-vos.

Artigo Por Bruna Coelho Pereira

#GlitterUpYourLife