“A gente quer uma banana chique”, Sissi Freeman

Sissi Freeman é a mulher à frente da Granado. Fundada por um português residente no Brasil em 1870, a Granado é uma das empresas de cosméticos mais tradicionais do Brasil. Sissi Freeman tinha 14 anos quando o seu pai comprou a empresa. Cresceu dentro deste universo e foi esse percurso que a levou, naturalmente, ao cargo de Diretora de Marketing & Vendas da Granado. Hoje, a marca tem mais de 85 lojas-conceito, distribuídas entre o Brasil e as principais capitais europeias como Lisboa, Londres e Paris, bem como uma loja online acessível em toda a Europa e EUA.


Aproveitámos o lançamento do novo perfume Yes, Nós Temos Banana para conversar com Sissi Freeman e saber mais sobre esta novidade, bem como a relação atual da marca com Portugal.

Porque a banana como ingrediente principal deste novo perfume?
A Granado é conhecida pela brasilidade, por ser do Rio de Janeiro, mas também por ser uma perfumaria tradicional. Apesar disso, quisémos explorar este ingrediente. Foi um processo de desenvolvimento que levou mais de seis anos. Com a internacionalização – já estamos há 11 anos na Europa -, as pessoas vinham atrás de nós por essa brasilidade, querendo saber o que tínhamos, qual ingrediente estava ali. E achamos que seria muito divertido trazer a banana, mas uma banana que fosse sofisticada. Porque, às vezes, vemos muitas bananas a ser interpretadas de formas artificiais. Há seis anos, quando começamos o briefing, era: “a gente quer uma banana chique”.


Se lhe pedisse para descrever este perfume, o que diria?
É um perfume que tem muito frescor, tem muito banana, uma banana verde. Trabalhámos com um perfumista da casa de fragrância Mane; ele é jovem, músico eletrónico, criativo… Quando uniu a banana com íris, que é um ingrediente que eu pessoalmente adoro, achei que ficou um máximo, porque ela é muito banana na saída, mas depois vai ganhando uma cremosidade, notas verdes, de folha, limão, musk, sândalo. E toda a gente, quando eu usava, me perguntava o que eu estava a usar. Quando eu digo banana, a pessoa fica surpresa.


O que está por detrás da escolha do nome?
É um dos poucos em que falamos do ingrediente logo no nome. Muitas vezes, quando o perfume tem um ingrediente ousado, as pessoas tentam disfarçar porque acham que pode repelir. E nós quisemos dizer logo de caras que sim, tem banana. E há uma marcha de carnaval dos anos 30 que deu origem a essa expressão “yes, nós temos banana”, porque o Brasil era o país das bananas. Há também uma canção de Caetano Veloso dos anos 60. É uma expressão popular. Então é uma brincadeira com isso, mas quase que um orgulho nacional também, tipo: somos brasileiros, sabe?


Estamos em Paris, para o lançamento oficial deste perfume. Houve um simbolismo nessa escolha? Foi estratégico ou emocional?
Na verdade, há 11 anos, quando viemos para cá, foi a convite do Bon Marché. Na época, acho que se tivéssemos escolhido a nossa primeira cidade para vir para a Europa, ou até para o mundo, não teria sido a primeira, até porque achavamos que Paris é onde toda a gente da perfumaria quer ir. Mas ao mesmo tempo é onde estão as pessoas que mais conhecem, que mais entendem e que mais valorizam um produto de qualidade. Isso também ajudou muito no Brasil, a mostrar que os nossos produtos estão no mesmo nível que o mercado. E quando escolhemos este evento para o lançamento, acabámos por escolher fazê-lo aqui a convite do Printemps, porque estamos com uma pop-up com eles até 15 de julho. No próximo mês abrimos em Londres, na Liberty e no Arco Central, durante um mês. Em Lisboa estamos no El Corte Inglés, e em Itália na Rinascente. É o primeiro passo da banana na Europa.


A quem recomendaria este novo lançamento?
À pessoa ousada que está à procura de um perfume alegre, vibrante, para o verão. Apesar de ter muita madeira, acho que também pode ser usado noutras épocas do ano, mas eu pessoalmente acho-o a cara do verão.


Qual é o papel das outras notas no perfume?
Elas deixam a banana mais sofisticada. Conseguem lapidar essa banana, dando-lhe uma cremosidade, uma floralidade, uma madeira, que são notas que as brasileiras adoram. O dulçor acaba por vir da fruta, mas de uma forma muito natural. Acho que quando a banana é muito artificial, não acaba por combinar tanto com o perfil da nossa consumidora.


Portugal está muito ligado à história da Granado. Como é que a marca é recebida pelos consumidores portugueses?
De braços abertos, porque o fundador da Granado era português. A Granado é portuguesa. Inclusive, acabei de ser convidada a ser conselheira da Câmara Portuguesa-Brasileira. Tudo o que fazemos em Portugal, eles dizem que a Granado é portuguesa. A Granado é inclusive o membro mais antigo da Câmara Portuguesa no Brasil.


E como sentem retorno dos consumidores portugueses?
Acho que agora, indo a vários mercados, começamos a ver que cada mercado tem preferências diferentes. Portugal é o mais parecido com o Brasil, mas estamos sempre de olho para lançar e fazer coisas mais a ver com o público local.


O que é que mais a aprecia atualmente no mundo da perfumaria?
Essas misturas inusitadas. Um dos desafios quando se trabalha com uma marca centenária é não ficar desatualizada. A perfumaria está cada vez mais moderna, e poder fazer essas misturas ousadas, por exemplo, a banana com o iris, é incrível. Depois, é interessante ver como todas as marcas exploram o mesmo ingrediente de formas diferentes. Está cada vez mais difícil alguém vir e dizer “adoro tal coisa”, porque quando vai sentir o cheiro não tem nada a ver com o que esperava. As matérias-primas estão cada vez mais especializadas, cada vez mais ousadas.


Que tipo de emoção ou lembrança é que a marca quer que os consumidores sintam quando experimentarem o novo Yes, Nós Temos Banana?
Muita alegria, e ousadia. Mas principalmente alegria. É uma fragrância muito alegre.

Desvenda aqui alguns momentos do evento:

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