Porque é que o nosso corpo ama o mar?

Há qualquer coisa que acontece quando chegamos à beira-mar. O ritmo muda, os ombros baixam, a respiração abre. Não é imaginação nem nostalgia de verões passados. É o corpo a responder a um ambiente para o qual, de certa forma, foi feito.

É tudo químico, literalmente

O ar do mar tem uma composição diferente do ar das cidades. É carregado de iões negativos, partículas que se formam pelo movimento das ondas e que, quando inaladas, estimulam a produção de serotonina, o neurotransmissor do bem-estar. É por isso que a sensação de calma que se sente ao chegar à praia não é metáfora: é bioquímica.

A água salgada também tem os seus próprios efeitos. Rica em magnésio, potássio e iodo, é absorvida pela pele e tem propriedades anti-inflamatórias, calmantes e cicatrizantes. Banhos no mar ajudam a reduzir tensão muscular, a aliviar problemas de pele como eczema ou psoríase, e a melhorar a circulação.

O som das ondas faz qualquer coisa ao cérebro

O barulho do mar é classificado como ruído rosa, um tipo de som com frequências que o cérebro processa como não-ameaçadoras. Ao contrário do silêncio absoluto ou do ruído urbano, o som rítmico das ondas ativa o sistema nervoso parassimpático, aquele que nos coloca em modo de descanso e recuperação. É literalmente o oposto do estado de alerta em que passamos a maior parte dos dias.

A cor azul não é inocente

A psicologia das cores há muito que associa o azul à calma, à confiança e à clareza mental. Olhar para uma extensão de água azul reduz a frequência cardíaca e os níveis de cortisol, a hormona do stress. O investigador Wallace J. Nichols cunhou o conceito de blue mind precisamente para descrever este estado meditativo suave que a presença de água provoca no cérebro.

E depois há a memória do corpo

Somos compostos por cerca de 60% de água. O líquido amniótico em que passámos os primeiros meses de vida tem uma composição muito semelhante à da água do mar. Há quem diga que o conforto que sentimos junto ao oceano tem também algo de memória ancestral, de regresso a um ambiente que o corpo reconhece como seguro, muito antes de termos palavras para o descrever.

O mar cura, relaxa e reorganiza. E o corpo sabe disso antes de a cabeça perceber porquê.

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