De monumentos mundiais a joias escondidas, um roteiro para quem acredita que entrar numa boa livraria é sempre uma pequena aventura.
Portugal tem uma relação antiga e apaixonada com os livros. A livraria mais antiga do mundo em funcionamento fica aqui. Uma das mais belas do mundo também. E por cada grande nome que conheces, existem dezenas de espaços independentes, cheios de personalidade, que merecem tanto ou mais a visita.
Este não é um guia de livrarias onde entras, compras e sais. É um guia de livrarias onde ficas.
Livraria Lello (Porto)
Há livrarias bonitas e há a Lello. A escadaria vermelha central, os vitrais no teto de mais de oito metros, as colunas douradas e as madeiras esculpidas fazem deste espaço muito mais do que uma loja de livros, é uma obra de arte que funciona.
Inaugurada em 1906, a Livraria Lello foi a livraria mais pesquisada no Google Maps em todo o mundo em 2025, e é frequentemente apontada como uma das mais belas do planeta. Atualmente está em processo de classificação como monumento nacional pela DGPC.
Dica prática: a entrada custa 5€, mas o valor é descontado na compra de um livro. Vale mesmo a pena chegar cedo.
Ler Devagar (Lx Factory, Lisboa)
Quando entrares na Ler Devagar, o primeiro instinto é olhar para cima. Instalada numa antiga gráfica no LX Factory, a livraria tem um pé-direito de 14 metros, uma enorme máquina rotativa de impressão que faz parte da decoração, e uma icónica instalação artística com um ciclista suspenso no ar a voar entre as estantes.
Com mais de 40 mil títulos novos e 10 mil usados, distribuídos por 600 metros quadrados em quatro pisos, é também loja de vinil, espaço expositivo, café e restaurante. Em 2025, foi eleita a 7ª livraria-café mais bonita do mundo pela plataforma 1000 Libraries, com base em 200 mil votos internacionais.
Livraria Bertrand do Chiado (Lisboa)
Fundada em 1732 e certificada pelo Guinness World Records como a livraria mais antiga do mundo em funcionamento contínuo, a Bertrand do Chiado é uma visita obrigatória, não por obrigação, mas por respeito ao que representa.
O seu interior é um percurso literário em sete salas temáticas ligadas por corredores em arco. A Sala Aquilino Ribeiro guarda o “Cantinho do Aquilino”, onde o escritor se recolhia para ler e pensar. Sobreviveu ao terramoto de 1755, às guerras, às ditaduras e continua a cheirar a livro novo.
Centésima Página (Braga)
A melhor razão para visitar Braga além dos monumentos. Instalada na Casa Rolão, um edifício barroco do século XVIII classificado como imóvel de interesse público, a Centésima Página é o tipo de livraria que não te deixa sair em menos de uma hora.
O nome inspira-se numa frase de Albert Camus: “se escrevesse um livro de moral, as primeiras 99 páginas seriam em branco e na centésima estaria escrita uma única frase – há um único dever: o dever de amar”.
Palavra de Viajante (Lisboa)
Existe uma livraria em Lisboa inteiramente dedicada às viagens e se ainda não a conheces, isso é uma injustiça a corrigir com urgência. Fundada em 2011, a Palavra de Viajante reúne guias, mapas, relatos de viagem, fotografia e ilustração num espaço que é simultaneamente livraria e galeria cultural.
É o sítio certo para comprar o guia de um país que ainda não visitaste, ou para encontrar um livro de viagem que te convença a fazer as malas. Organiza exposições, lançamentos e rodas de conversa porque as melhores viagens começam muitas vezes num livro.
Livraria Férin (Chiado, Lisboa)
A segunda livraria mais antiga de Portugal e uma das mais discretas. Fundada em 1840 por uma família belga que fugiu das guerras napoleónicas, a Férin especializou-se em história, literatura francesa, livros raros e colecionismo sobre genealogia, heráldica, arte.
Fora do Radar
Portugal tem ainda uma constelação de livrarias independentes que merecem ser nomeadas: a Linha de Sombra em Lisboa, com foco em cinema e cultura visual; a Tigre de Papel em Arroios, um dos espaços mais vivos de Lisboa com programação cultural intensa; a Flâneur no Porto, para os que gostam de passear entre estantes com calma; e a Fonte de Letras em Évora, prova de que as melhores livrarias não precisam de estar na capital.
Todas fazem parte da ReLI — Rede de Livrarias Independentes, uma associação nacional de livrarias sem ligação a grandes grupos. Apoiá-las é apoiar a diversidade literária em Portugal.
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