Há aulas de exercício físico. E depois há aulas em que, a meio de um agachamento que parece nunca mais acabar, te perguntas em silêncio: “porque é que eu vim?”. Mas depois entra a Shakira, enquanto suas em locais do corpo que nem sabias que existiam e pensas: “ok… afinal isto é incrível”. Assim é uma aula de Barre Power Latino no Atelier Barre, no Aviz.
A modalidade mistura a técnica do barre — inspirada nos movimentos do ballet, pilates e treino funcional — com ritmos latinos capazes de transformar sofrimento físico em entretenimento colectivo. É duro? Bastante. Vais tremer? Muito. Vais querer desistir? Em vários momentos. Mas vais sair da aula com energia de protagonista de videoclip latino? Sem dúvida.
O Barre Power Latino tem uma característica rara no mundo do exercício: consegue trabalhar força, resistência, postura, equilíbrio, flexibilidade e cardio… tudo na mesma aula.
Enquanto os movimentos pequenos e controlados parecem inofensivos, a verdade é que estão a ativar músculos profundos que normalmente passam despercebidos em treinos tradicionais. Resultado? Pernas a arder, glúteos em combustão, abdominais ativados e braços a implorar misericórdia. E aqui percebemos porque é uma modalidade tão completa.
A pior parte? A Professora ainda tem coragem de dizer: “Só mais oito.” Spoiler: nunca são só mais oito.
Entre pliés, relevés e exercícios na barra, o corpo começa naturalmente a alinhar-se melhor. Ombros mais abertos, core activado, costas direitas: tudo aquilo que uma cadeira de escritório destrói ao longo do dia. Uma das grandes ilusões do barre é convencer-te de que, por não haver saltos doidos nem corridas desenfreadas, vai ser “tranquilo”.
Não vai.
Os movimentos são lentos, precisos e repetitivos. E é exactamente aí que mora o caos. O músculo fica sob tensão durante mais tempo e o corpo inteiro entra num estado de negociação interna constante:
“Será que posso fingir uma cãibra?” Mas, mais uma vez, a música latina distrai, entretém e torna tudo muito mais leve e divertido! De repente, já não estás no Porto mas a seguir os passos da Shakira, porque en Barraquilha se baila así.
No fim, compensa tudo.
Durante a aula, podes questionar todas as decisões que te trouxeram até ali. Mas no final? O sentimento é quase irritantemente bom. O corpo fica cansado, mas leve. A cabeça desliga. A postura melhora. A energia sobe. E há aquela satisfação muito específica de sobreviver a um exercício que parecia impossível nos primeiros dez minutos. E no meio da exigência física absurda, há diversão. Há ritmo. Há energia. Há aquela sensação rara de estares a cuidar do corpo sem entrar na dinâmica militar de muitos treinos tradicionais.
E porque, no fundo, sobreviver a uma sequência de barre ao som de reggaeton dá um nível de confiança que devia contar oficialmente como desenvolvimento pessoal.
#TheGlitterDream