Metamorfose Episódio 10: Coisas que deixei de fazer (e a minha vida melhorou)

Existe uma ideia muito presente quando falamos de crescimento pessoal: fazer mais, tentar mais, mudar mais. Mas, para mim, uma das maiores mudanças aconteceu quando comecei a fazer menos. Menos coisas, menos esforço desnecessário, menos pressão.

E foi aí que percebi: às vezes, evoluir não é sobre aquilo que acrescentamos à nossa vida, é sobre aquilo que decidimos deixar para trás. Por exemplo, deixar de responder a tudo no momento.

Sempre fui uma pessoa impulsiva, com a resposta na ponta da língua. Respondia por mim e pelos outros, especialmente quando toda a gente ficava em silêncio. Hoje em dia, consigo perceber que as melhores respostas raramente são dadas de cabeça quente. Aliás, quem nunca saiu de uma conversa mais difícil a pensar: “devia ter dito isto” ou “devia ter dito aquilo”?

Tenho tentado ser mais ponderada. Já não sinto que preciso de responder a tudo na hora e isso fez toda a diferença. Outra coisa que ainda estou a trabalhar é o meu lado people pleaser, principalmente com pessoas com quem não tenho tanta confiança. Não conseguia dizer que não. Não conseguia dizer que a água no cabeleireiro estava demasiado quente ou fria. Se num restaurante viesse um prato errado, ficava calada. Pequenas coisas… mas que dizem muito. Ainda não deixei este padrão a 100%, mas é, sem dúvida, algo que quero mesmo deixar para trás.

Dizer que não a convites também passou a ser um grande sim para mim. Antes dizia sempre que sim, mesmo quando não me apetecia. Convencia-me com aquele pensamento clássico: “agora não me apetece, mas depois até vai ser giro”. E acabava por ir. Hoje já não. Se não me apetece, não vou.

Também deixei de me justificar em excesso. Nem tudo precisa de explicação. Nem todas as decisões precisam de validação. Houve uma fase em que sentia necessidade de justificar tudo o que fazia. Hoje já não. Às vezes, um simples “não faz sentido para mim” chega.

(Ainda não) deixei de tentar controlar tudo, mas é um objetivo. Nem tudo pode ser planeado. Nem tudo depende de nós. E aceitar isso foi desconfortável… mas também libertador. Percebi que o controlo absoluto não existe e tentar alcançá-lo só me desgastava.

No meio de tudo isto, percebi uma coisa muito simples: às vezes, melhorar a nossa vida não passa por adicionar mais coisas… passa por termos coragem de largar algumas. E, curiosamente, é nesse espaço que fica, que começamos, finalmente, a respirar melhor.

Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife