Dia Mundial do Beijo: tudo o que precisas de saber sobre o gesto mais viciante do mundo

Há um gesto que atravessa culturas, séculos, línguas e fronteiras. Que já foi proibido por reis, celebrado por poetas, imortalizado em esculturas e capaz de provocar um caos completo no sistema nervoso em menos de três segundos. Estamos a falar do beijo, claro. E hoje, 13 de abril, é o dia que lhe é dedicado.

Porque sim, o Dia Internacional do Beijo é celebrado anualmente nesta data, como forma de celebrar um dos atos mais humanos de todos, aquele que tanto pode ser o tímido selinho do primeiro encontro, o apaixonado de quem já se ama há anos, ou o beijo na bochecha de um amigo.

E se achaste que o beijo era um assunto simples, prepara-te para mudar de ideias.

Quando beijar era crime

Nem sempre o beijo foi bem-vindo. Em 1439, o rei Henrique VI proibiu os beijos em Inglaterra para evitar a proliferação de doenças. Mais tarde, no século XVII, Oliver Cromwell proibiu beijos aos domingos, com pena de prisão para os infratores. E se achaste que isso já era exagero, em 1909 um grupo de americanos que consideravam o contacto dos lábios prejudicial à saúde chegou a criar a Liga Antibeijo. Uma liga. Dedicada a combater beijos. O mundo é realmente um lugar diverso.

Do outro lado do espetro, no século XV os nobres franceses podiam beijar qualquer mulher, e os italianos eram obrigados a casar-se se fossem vistos a beijar em público. Formas muito distintas de complicar a vida das pessoas.

O que a ciência diz: o beijo tem superpoderes (a sério)

Existe até uma ciência dedicada exclusivamente a estudar o beijo. Chama-se filematologia e as suas descobertas são, digamos, animadoras.

Os lábios são a zona erógena mais exposta do corpo humano, e um simples toque pode libertar uma série de informações ao cérebro que ajudam a decidir se queremos continuar com um beijo ou não. Tudo em frações de segundo, sem sequer termos consciência disso.

Do ponto de vista físico, num beijo mais apaixonado são utilizados 29 músculos ao mesmo tempo, os batimentos cardíacos podem atingir os 150 por minuto e são trocados cerca de 250 tipos de bactérias. Antes de entrares em pânico: a maioria dessas bactérias acaba por reforçar o sistema imunitário, funcionando como uma espécie de vacina com beijo.

Mas os benefícios não ficam por aqui. Pesquisas apontam que pessoas mais beijoqueiras tendem a sofrer menos de problemas de estômago, vesícula e sistema circulatório, além de insónia e dor de cabeça. Se és hipertensa, o beijo na boca até ajuda a diminuir a pressão arterial. Basicamente, o teu médico devia receitar mais beijos.

E o cérebro? O ato de beijar produz dopamina, o neurotransmissor associado à sensação de prazer, produzido numa área do cérebro próxima da região afetada pelo vício em drogas. Agora já entendes porque é que é tão difícil parar.

O primeiro beijo não perdoa

Estudos comprovam que quando o primeiro beijo não é bom, 59% dos homens e 66% das mulheres perdem o interesse logo de imediato. O beijo funciona como uma entrevista de emprego para o coração. E, ao que parece, as mulheres têm padrões ligeiramente mais altos.

O beijo no cinema: 18 segundos que mudaram tudo

“The Kiss” foi o primeiro filme com cenas de beijo na história do mundo. O filme foi lançado em 1896, tem 18 segundos de duração e foi considerado escandaloso na época, causando muita controvérsia. Hoje parece impossível imaginar que 18 segundos de dois atores a beijar-se tenha chocado alguém, mas eram outros tempos.

Desde então, o cinema deu-nos momentos inesquecíveis: o beijo sob a chuva de Noah e Allie em “Diário de uma Paixão”, o de Rick e Ilsa em “Casablanca”, o de Jack e Rose antes de tudo correr muito mal no Titanic. Picasso, Klimt, Rodin e muitos outros artistas também encontraram no beijo uma fonte inesgotável de inspiração, tornando-o um dos gestos mais representados na história da arte.

Ao redor do mundo: porque não há um só tipo de beijo

Há 10% da população mundial que simplesmente não beija. Em algumas áreas do Sudão, por exemplo, as pessoas não têm esse costume porque acreditam que a boca é a janela da alma e beijar seria uma forma de ter a alma roubada.

Na Islândia, os nativos cumprimentavam esfregando os narizes. Na Alemanha, o costume é dar um beijo no lado esquerdo do rosto, enquanto os holandeses cumprimentam os amigos com três beijos. Em Portugal, bem, já sabemos: dois beijinhos, e há sempre aquela hesitação de qual começa. É universal.

E ao longo da vida, quantos beijos damos?

A estimativa é de que uma única pessoa seja capaz de trocar aproximadamente 24 mil beijos durante toda a sua vida. Se todos fossem dados consecutivamente, seriam gastos mais de quinze dias até ao fim da atividade.

Quinze dias de beijos seguidos. Há planos de férias piores.

Por isso, hoje mais do que nunca: beija quem gostas, abraça quem amas, e celebra o gesto mais antigo, mais estudado e mais viciante da humanidade. A ciência autoriza e a história confirma: é mesmo muito bom para a saúde.

Feliz Dia Mundial do Beijo, leitoras do glitterdream.

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