Todos nós, frequentemente, confundimos intensidade com ligações reais, a montanha russa emocional que tanto se romantiza não é química nem amor – é ansiedade disfarçada.
Desculpa desiludir-te mas as borboletas no estômago não são magia, o querer falar o tempo todo, a necessidade de validação constante, o overthinking depois de cada mensagem, a ansiedade de ter uma resposta imediata: nada disto é um sinal de amor intenso, é apenas o teu corpo em estado de alerta.
Fomos ensinados a acreditar que tudo aquilo que mexe conosco tem de significar algo – se nos acelera o coração e não nos sai da cabeça o dia inteiro, tem de significar algo, certo ? Não.
O amor não é uma urgência e a calma e a paz não são aborrecidos. A verdade é que aquilo a que chamas química e intensidade é apenas o teu sistema nervoso em modo de sobrevivência.
Esta inconsistência, os jogos emocionais e os vaivéns de atenção que recebes viciam-te e deixam-te sempre a querer mais e mais – não é burrice, é neurológico.
Mas respira porque tudo isto tem uma explicação, na verdade quando isto acontece ficas mais investida (ou até mesmo obcecada) porque não tens estabilidade suficiente para te sentires segura e é aí que o teu cérebro começa automaticamente à procura de uma resolução – quereres perceber, queres “ganhar” – o amor não é um jogo.
E é por isto que quando encontramos alguém estável, com todas as respostas, sem rodeios e sem jogos, de repente, “falta qualquer coisa”. Falta o caos a que chamaste química a vida inteira.
O amor que foi feito para ti não te traz confusão, não precisa de ser adivinhado e não te faz competir por atenção. Provavelmente vai chegar sem explodir e pode até não te consumir, podes mesmo chegar a pensar que é “menos forte” do que aquilo que já sentiste – mas vai trazer-te algo de diferente, consistência.
A pergunta certa nunca foi “será que temos química?”, a pergunta certa é “isto acalma-me ou deixa-me ansiosa?”
Artigo por Rita Pinto Da Silva
#TheGlitterDream