E de repente…já nos 40! Viajar como bálsamo.

Comecei a trabalhar aos 23 anos, fresca da universidade e cheia de vontade de ver o mundo e também de fugir um bocadinho à realidade adulta que acabara de começar. A minha primeira grande aventura foi logo em grande: três semanas na Costa Rica, a fazer voluntariado com tartarugas marinhas, numa zona rural, sem turistas, sem confusão… e provavelmente sem grande Wi-Fi. Estávamos em 2006!

Nessa altura, prometi a mim mesma que faria, pelo menos, duas viagens por ano.

Viajar é um bálsamo. É aquele investimento em que gastamos dinheiro e, ainda assim, saímos mais ricos — emocionalmente, culturalmente e, às vezes, até com mais fotografias do que espaço no telemóvel. Ao longo dos anos, tenho conseguido manter esta promessa e, quanto mais viajo, mais percebo que o mundo é imenso… 

Hoje já não viajo sozinha, aliás, nunca viajei. Entre amigos, marido e agora as miúdas, a logística aumentou, mas a magia também. É incrível vê-las a adaptar-se, a observar, a fazer perguntas atrás de perguntas (muitas, muitas perguntas) e a descobrir o mundo com aquele entusiasmo contagiante. Por mim, estávamos sempre a ir. Viajar é liberdade: daquelas que acontece cá dentro, na cabeça e no coração.

Estamos prestes a partir para mais uma aventura e, agora nos meus quarentas, continuo a achar que não há melhor investimento. O plano mantém-se: viagens a quatro, às vezes a dois, porque o modo “romantic rock” também faz maravilhas pela alma (e pelo casamento).

Curiosamente, nunca senti o apelo de viajar sozinha. Sempre achei que não era “a minha praia”. Mas… e se for agora? Nesta fase da vida, talvez seja exatamente o tipo de desafio que faz sentido. Sair da zona de conforto, ir sem rede, sem logística partilhada, sem ninguém a perguntar “o que é o jantar?”. Só eu, o mundo e talvez um mapa (ou o Google Maps, vá).

Fico a pensar: quem descobriria nessa viagem? Gostaria de estar comigo, só comigo? Veria o mundo de forma diferente? E cá em casa… sobreviveriam todos sem mim? (pergunta retórica… espero eu).

Reinventar-me sempre foi importante e talvez ainda mais agora, numa vida cheia de rotinas e responsabilidades, onde pequenos seres humanos dependem de mim para quase tudo (inclusive encontrar coisas que estão “mesmo à frente dos olhos”).

Viajar é abrir portas. É percorrer caminhos novos e, pelo meio, permitir-nos ser outras versões de nós, mais leves, mais curiosas, mais disponíveis. Talvez mais próximas de quem gostaríamos de ser no meio da correria dos dias.


No fundo, viajar não é só sobre destinos, é sobre regressos. Regressar a casa com histórias, com perspetivas novas e, muitas vezes, com uma versão mais interessante de nós próprios. Seja a dois, a quatro ou (quem sabe) a solo, o importante é não deixar de partir. Porque, no fim, o melhor lugar onde podemos investir… somos nós.

Até ao meu regresso! 😉

Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)

#GlitterUpYourLife