É fácil dizer que é desta que vamos bater o nosso recorde de livros anuais, mas quando começamos a passar os olhos em mais um guia para o sucesso e não temos vontade de virar a página, a promessa cai por terra. Então, como podemos criar o hábito de leitura sem parecer só uma obrigação chata? O segredo está nas histórias.
Na verdade, a solução para este problema é simplificar: resgatar o prazer e o entusiasmo de saber o que acontece a seguir. Escrevo por experiência própria, já não me lembrava de devorar um livro tão rápido até decidir dar um tempo à autoajuda direta e uma oportunidade a um clássico que achava criminoso nunca ter lido: O Alquimista.
Muito mais do que um relato de uma viagem de um pastor pelo deserto, é um manancial de sabedoria refletida em situações da vida quotidiana. As lições que muitas vezes procuramos noutros géneros, estão impregnadas nos capítulos de obras como esta. E em vez da sensação de estarmos a ter uma aula, parece só que nos estão a contar uma história. Para a nossa veia curiosa, torna-se bem mais apetecível desta forma.
Seja um livro de 1920 ou de 1980, se se tornou um clássico, é porque o enredo é incrível. Os clássicos sobrevivem porque tratam de temas que nunca passam de moda: traição, ambição, amores impossíveis e a procura pelo sentido da vida. Os anos passam e mantêm-se atuais e vivos como nunca. E algo igualmente sedutor nestes livros é que nos ensinam muito, mas somos nós a descobrir e tirar as nossas próprias conclusões. Não escrevem “5 razões para seres persistente”, mostram-nos, em alternativa, o que acontece à personagem que seguiu em frente apesar da adversidade e à personagem que desistiu. Este caminho de mãos dadas com a empatia e a imaginação tem outro impacto em nós.
Por isso, este ano, vamos tentar abstrair-nos da meta de “ler o máximo de livros possível” e adaptá-la para “encontrar um livro que me faça perder a noção das horas”. Talvez assim, sem regras e caixas de texto muito organizadas, consigamos resgatar o prazer e o vício-bom de ler.
P.S.: Depois de já não conseguirmos viver sem um livro na mala, podemos e devemos sim dar uma nova chance à autoajuda que com certeza também tem muito para nos mostrar.
#TheGlitterDream