As dating apps não são para mim! Ou são?

Possivelmente já deste por ti, em algum momento, a fazer-te esta pergunta. Se já aconteceu, estás longe de ser a única. Talvez tenhas amigas que usam dating apps, saibas, mais ou menos, como funcionam, ou até já tenhas instalado uma, ou alguém instalou por ti, mas acabaste por não usar porque ainda tens dúvidas. 

Há muitas ideias associadas às dating apps: que são superficiais, que não são o “sitio certo” para encontrar algo sério, que só funcionam para um certo tipo de pessoas, que quem lá está só procura sexo, que não há pessoas interessantes… Mas será que é mesmo assim? E mais importante: estas ideias ainda fazem sentido? Muitos destes preconceitos surgem de experiências indiretas, histórias de amigos, relatos menos positivos, daquela sensação de que “não é assim que se conhece alguém a sério” ou até de alguma nostalgia associada às formas tradicionais de conhecer alguém, como se tudo o que acontece online fosse automaticamente menos autêntico. Mas o contexto mudou. Hoje, conhecer pessoas através de uma app, que não precisa ser especificamente de dating (quem nunca deu um like mais estratégico ou enviou um foguinho com segundas intenções que se acuse…), não tem nada de estranho, nem deveria ser tabu. 

Usar dating apps é uma extensão natural da forma como vivemos, comunicamos e nos conectamos com os outros. A tecnologia faz parte do nosso dia a dia, e usar apps para conhecer pessoas é só mais uma camada da nossa vida em que ela está presente. 

Pensa em todos os locais onde podes conhecer pessoas: trabalho, universidade, festas, clubes de corrida e em todas aquelas pessoas, amigos, família, colegas, que te podem apresentar alguém que te possa interessar. As dating apps juntam-se a essa lista de possibilidades. E isso não torna as ligações menos válidas.

Outro mito comum é o de que é preciso ter um certo “perfil” para usar dating apps: ser confiante, fotogénica ou saber sempre o que dizer. Na realidade, há espaço para todo o tipo de pessoas e intenções. Não existe uma forma certa de estar numa app, nem uma única expectativa que todas tenham de cumprir. Quer dizer, há: respeito!

Claro que nem tudo é perfeito. Nas dating apps há pessoas com boas e menos boas intenções. Umas honestas e outras nem por isso. Há quem saiba claramente por que lá está, enquanto outras só estão a “ver”. Há mais pessoas do que as com quem conseguirás conversar e, sim, as mulheres estão em minoria. Como resultado, podem receber muitas mensagens, o que pode provocar um sentimento de sufoco. Há também conversas que não evoluem, matches que não dão em nada e momentos em que tudo parece um pouco… repetitivo. 

Mas será isso tão diferente da vida fora das apps? Nem todas as pessoas que conheces querem o mesmo que tu, nem partilham os teus valores, nem se comportam como desejarias e, claro, nem todas as conversas são memoráveis. E está tudo bem. 

No fundo, a questão não é tanto se as dating apps “são para ti”, mas sim como e para quê as queres usar. Vale a pena parar um momento e perguntar: porque é que eu vou usar uma dating app? Vou encarar com pressão e expectativas rígidas ou com curiosidade, leveza e abertura ao inesperado? Claro, dentro dos limites que estabeleceste e com os que te sentes confortável.

Talvez as dating apps não sejam para toda a gente e isso é completamente válido. Também pode ser que ainda não sejam para ti… até ao dia em que decides experimentar sem grandes expectativas. E às vezes, é aí que as coisas mais interessantes começam.

Artigo Por Rita Sepúlveda
Investigadora ICNOVA, Instituto de Comunicação da Nova
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