O novo medo de parecer “too much” quando gostamos de alguém

Há uma coisa curiosa que começou a acontecer nas relações. Gostar de alguém deixou de ser apenas uma experiência emocional e passou a ser também um exercício de controlo. Controlar o que se diz, quando se responde, quanto se demonstra. Como se o entusiasmo tivesse de ser medido, como se o interesse tivesse de ser editado.

De repente, sentir muito tornou-se um risco.

Existe um medo silencioso de parecer “too much”. De responder demasiado rápido, de mostrar demasiado interesse, de estar demasiado disponível. Como se gostar de alguém tivesse regras não escritas que ninguém explicou, mas que todos parecem seguir. Não demonstrar demasiado. Não parecer demasiado interessado. Não ser o primeiro a avançar.

O problema é que, no meio desse cuidado constante, algo se perde.

As relações começam a ser construídas com base em estratégia, não em espontaneidade. As mensagens são pensadas, as respostas são atrasadas de propósito, os sentimentos são filtrados antes de serem partilhados. Existe uma preocupação constante com a forma como somos percebidos, muitas vezes maior do que aquilo que realmente sentimos.

E, pouco a pouco, o natural deixa de ser natural.

Este medo não surge do nada. Vem de experiências passadas, de rejeições, de histórias onde quem sentiu mais acabou por sair mais magoado. Vem também de uma cultura onde a indiferença é muitas vezes confundida com valor e onde quem demonstra demasiado é visto como vulnerável em excesso.

Mas há algo profundamente contraditório nisto tudo. Queremos relações reais, profundas, honestas. Mas temos medo de agir de forma real, profunda e honesta. Queremos alguém que se mostre, mas evitamos mostrar-nos primeiro. No fundo, estamos todos a tentar não parecer demasiado, enquanto procuramos alguém que nos aceite exatamente como somos.

Talvez o problema não esteja em sentir demais. Talvez esteja em ter aprendido que isso é um erro. Porque gostar de alguém nunca foi sobre contenção. Sempre foi sobre presença. Sobre interesse genuíno. Sobre não ter medo de demonstrar. E talvez o verdadeiro risco não seja parecer “too much”. Talvez seja passar ao lado de algo real por medo de ser exatamente aquilo que sentimos.

#GlitterUpYourLife