Hoje em dia parece que tudo tem que ter um propósito. Tudo tem que ser produtivo, útil, rentável.
Mas desde quando é que deixámos de fazer coisas só porque gostamos?
Nem todos os hobbies têm que virar negócio. Nem tudo aquilo em que somos bons precisa de ser monetizado. Podemos, simplesmente, gostar de fazer algo… e ficar por aí.
A verdade é que, sempre que alguém demonstra talento ou gosto por alguma coisa, há uma pergunta que surge quase automaticamente:
“Já pensaste em ganhar dinheiro com isso?”
E eu percebo. É o mundo em que vivemos. Um mundo onde tudo pode, e deve, ser transformado em rendimento. Onde cada interesse pode ser uma oportunidade, cada talento uma fonte de lucro.
Mas porque é que normalizámos tanto esta ideia… e não normalizamos o contrário?
Porque é que não é igualmente válido dizer: “Não. Gosto disto só porque sim.”
Porque me dá prazer. Porque me acalma. Porque me limpa a cabeça. Porque é o meu espaço, sem pressão, sem expectativas, sem responsabilidades.
Nem tudo tem que se tornar sério. Nem tudo tem que se transformar em trabalho.
Aliás, muitas vezes, e falo por experiência própria, quando transformamos um hobby num negócio, alguma coisa muda. A leveza desaparece. Aquilo que era um escape passa a ser uma obrigação.
E, de repente, já não recorremos a esse hobby para descansar… porque ele deixou de ser descanso.
Um hobby deve ser um hobby. Ponto.
Vivemos constantemente com esta lógica de fazer mais, ganhar mais, construir mais… tudo a pensar num futuro melhor. Mas e se, no meio disso tudo, nos esquecermos de viver o presente?
Queremos tanto garantir o amanhã, mas a verdade é que nem o hoje é garantido.
Por isso, talvez esteja na altura de abrandar.
De fazer coisas só porque sim.
Sem propósito. Sem objetivo. Sem retorno.
Só pelo simples prazer de fazer.
Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife