Se formos pensar bem no porquê de nos fazer tanta confusão alguém mudar, a resposta é simples: gostamos da previsibilidade das pessoas.
Quando criamos uma ligação com alguém partimos do pressuposto que essa pessoa vai manter-se igual para sempre. Criamos uma espécie de contrato invisível que inclui expectativas e hábitos e que tomamos por garantidos e como estáveis – o problema é que o ser humano está em constante evolução.
Hoje em dia, romantizamos tanto a ideia de crescimento de tentarmos constantemente ser pessoas melhores, mas na prática, só aceitamos essa evolução quando ela não nos tira conforto, controlo ou protagonismo.
A mudança é inevitável, tudo aquilo pelo que passamos acaba por nos moldar de alguma forma. Às vezes a mudança é calma, subtil, quase imperceptível, o problema está quando esta é abrupta e desconfortável – é exatamente aqui nasce o conflito.
Se alguém define as suas prioridades e sair contigo todas as semanas não é uma delas “Mudou para pior”. Se alguém impõe limites e deixa de tolerar certo tipo de atitudes “Já não é a mesma pessoa”. Se alguém encontra algo (ou alguém) que a faz feliz sem precisar de ti? “Ficou diferente”.Não ficou. Ficou independente da tua expectativa.
Não é a mudança que doi, é a dificuldade em aceitar que um “ tu mudas-te” é na verdade “deixaste de corresponder ao que eu esperava de ti”.
E a verdade é que não vivemos para agradar a ninguém nem para corresponder às suas expectativas.
Isto acontece porque a maior parte das relações são criadas sobre o papel que alguém tem na nossa vida e não sobre aquilo que realmente é.
A dificuldade nunca foi sobre aceitar que alguém pode mudar, mas sim aceitar que essa mudança pode deixar de ser benéfica para nós.
Acredito que a resposta esteja no equilíbrio e na comunicação: em vez de esperar que alguém permaneça igual, devemos tentar continuar a conhecê-la. E, quando isso já não fizer sentido, é necessário ter a maturidade de aceitar que algumas versões das pessoas — incluindo as nossas — deixam simplesmente de encaixar, e está tudo bem com isso.
Artigo por Rita Pinto Da Silva
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