No primeiro dia de primavera,
quando o mundo volta a nascer,
foi também o dia
em que o mundo o viu nascer.
Tinha os olhos azuis,
como o mar,
que nunca acaba.
Profundos, como a água,
rodeados de linhas,
de quem viveu muitas vidas,
muitas histórias,
e, ainda assim,
escolheu sempre o mesmo caminho.
De linhas, rectas,
Sem atalhos,
nem estradas secundárias.
Mesmo quando a vida o dividia,
Foi inteiro,
E nunca se demorava,
Onde não era feliz.
Foi e fez muitas coisas
como o mar é muitas formas:
calmo, revolto, imenso.
E talvez seja por isso
que o penso assim:
infinito.
Como o mar.
Hoje celebra-se o Dia Mundial da Poesia e a Molly desafiou-me a escrever um poema, coisa que já não escrevia, sei lá eu há quanto tempo. Perdi o meu avô no início deste ano e quando tentava escrever o meu luto percebi que o melhor que podia dizer sobre ele é que era um poema: “de verso livre, sem regras fixas de métrica, rima ou estrofes. Imperfeito mas tão, tão bonito.” É que o meu avô também fazia anos hoje. 91. Faz. Parabéns, Avô.
#TheGlitterDream