Que lição aprendemos com Batalha Atrás de Batalha, o filme vencedor dos Óscares?

One Battle After Another ganhou seis estatuetas ontem à noite. E tem uma lição que fica muito depois dos créditos finais. 

Na noite de domingo, Paul Thomas Anderson levou o Óscar de Melhor Filme com Batalha Atrás de Batalha, e ainda acumulou as estatuetas de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado na mesma noite. Uma vitória que foi, ao mesmo tempo, surpresa e inevitabilidade, porque quando um filme é bom, a única questão acaba por ser quando, não se.

O filme acompanha Bob Ferguson, interpretado por Leonardo DiCaprio, um ex-revolucionário que sai da reforma para resgatar a sua filha, sequestrada por um dos seus piores inimigos, interpretado por Sean Penn. É um thriller político, uma história de pai e filha, e uma reflexão sobre o que fazemos quando a vida nos chama de volta a lutar, mesmo quando já pensávamos ter terminado.

A história por detrás da vitória

Paul Thomas Anderson esperou dez filmes para chegar a este momento. A ideia de que continuas a fazer o trabalho, a acreditar no que estás a criar, mesmo quando o reconhecimento demora.

No discurso de agradecimento, Anderson foi direto ao assunto: “Fizeram-me trabalhar muito para isto, e eu agradeço do fundo do coração”. 

A lição que o filme deixa

Batalha Atrás de Batalha não é um título ao acaso. É quase um manifesto. A ideia de que a vida é uma sequência de batalhas, algumas que escolhemos, outras que nos escolhem, e que a coragem não está na ausência de medo mas na decisão de continuar mesmo assim.

Bob Ferguson podia ter ficado onde estava. Tinha pago os seus custos, vivido as suas consequências, construído uma certa paz. Mas quando alguém que ama precisa de si, não há reforma que chegue. Há uma cena que resume tudo isto sem uma única palavra de diálogo, e é exatamente o tipo de momento que te faz perceber porque é que o cinema existe.

A lição não é sobre ação física nem sobre heroísmo ao estilo Hollywood. É sobre presença. Sobre não desaparecer quando as coisas ficam difíceis. Sobre o que significa realmente estar lá para quem importa.

Os outros momentos da noite

A cerimônia de ontem teve outros momentos que merecem nota. Michael B. Jordan ganhou o Óscar de Melhor Ator por Pecadores, e Jessie Buckley levou o prémio de Melhor Atriz pelo seu papel em Hamnet. Sean Penn venceu como Melhor Ator Secundário pela sua performance em Batalha Atrás de Batalha.

E Portugal também esteve representado, ainda que sem estatueta: O Agente Secreto, com Wagner Moura, concorreu em quatro categorias, igualando o recorde nacional de indicações numa única edição dos Óscares. Uma presença histórica que, mesmo sem prémio, diz muito sobre o momento do cinema de língua portuguesa no mundo.

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