Amizades que não acabaram, mas também não ficaram

Há amizades que não acabam. Mas também não ficam. Não houve uma discussão, nem uma despedida. Não houve um momento específico que marcasse o fim. Houve apenas um afastamento silencioso, quase impercetível, como duas linhas que começam juntas e, sem ninguém reparar, seguem em direções diferentes.

Às vezes, sinto falta de versões da minha vida onde certas pessoas existiam todos os dias. Não é falta de amor. É falta de presença. Ainda sei tudo sobre elas. Sei como bebem o café, sei as músicas que ouviam em repetição, sei as inseguranças que nunca diziam em voz alta. Mas já não sei como são agora. Não sei o que pensam ao acordar, nem o que as preocupa à noite. Há uma distância nova, feita de tempo e de vidas que cresceram para lados diferentes.

Antes, falávamos todos os dias. Sobre tudo e sobre nada. Agora, falamos em aniversários, em mensagens curtas, em promessas vagas de um almoço que nunca chega a acontecer. E nenhuma de nós diz o que realmente sente. Talvez porque não há nada para dizer. Ou talvez porque há demasiado.

A minha vida encheu-se. De rotinas, de responsabilidades, de um amor diferente, mais estável e mais exigente. Os meus dias começam cedo e acabam tarde. Há sempre alguém que precisa de mim. E, no meio disso tudo, há amizades que ficaram suspensas no tempo. Não desapareceram. Mas também já não vivem aqui.

Às vezes vejo fotografias antigas. Nós, sentadas no chão, a rir de coisas que já não me lembro. Parecíamos tão certas umas das outras. Tão permanentes. Hoje, somos mulheres diferentes. Com vidas completas, mas não necessariamente partilhadas. E há uma tristeza suave em aceitar isto. Não porque algo correu mal, mas porque tudo simplesmente mudou.

Ainda gosto delas. Ainda penso nelas. Ainda há um carinho intacto, guardado num lugar silencioso dentro de mim. Mas há amizades que pertencem a versões específicas de quem fomos. E talvez o amor não esteja em fazê-las durar para sempre, mas em reconhecer que existiram exatamente quando precisávamos delas.

E que, de alguma forma invisível, continuam a existir. Mesmo que já não estejam aqui todos os dias.

#GlitterUpYourLife