Maternidade aPita | O casal, depois do bebé

Episódio 4
Não há ninguém que me conheça melhor do que ele.
Estamos juntos há muitos anos.
Antes do Vicente nascer, éramos só nós. Durante muito tempo, foi assim.
Sabíamos que queríamos muito ter um bebé. Não sabíamos quando — porque nunca há alturas certas. E acabou por acontecer.

Ele não faltou a uma consulta.
Esteve sempre lá.
Não sei se posso contar isto… mas ele foi o pai que desmaiou na primeira ecografia.
Começou muito bem.
Chorou mais do que eu quando soube que íamos para cesariana, porque sabia que isso nem sequer estava na minha equação.

Houve dias complicados no início.
Não vou romantizar. Muito complicados.
Até nos alinharmos, nem sempre foi fácil.
E acho que é normal — estávamos a aprender a viver com mais um ser que, no início, é totalmente dependente.
E exigente. E continua a ser.

A comunicação é a base de tudo.
E, no fim, ele foi a minha base. O meu suporte. O meu braço esquerdo e direito.
E eu sei que também fui o dele.
Porque eu também o conheço melhor do que ninguém.
Se hoje estou bem, é porque tive sempre o apoio dele.
É tão importante estarmos de mãos dadas nesta turbulência da maternidade.

Em Portugal, não é fácil ter um filho. Os pais não têm tempo suficiente para viver este início com calma. As licenças passam a correr.
Quando o pai regressa ao trabalho e a mãe fica com o bebé, é duro.
Eu precisei muito da presença dele.
Não era a de mais ninguém.
Era a dele.
E ele foi excecional. Esteve sempre lá.

A maternidade mudou-nos aos dois.
A forma de ver e viver a vida muda.
A relação do casal muda.
Durante uns meses, deixamos de ser prioridade.
E temos consciência disso. Falamos sobre isso. Sabemos que é uma fase.
Na verdade, vão ser fases atrás de fases.

O importante é sabermos que estamos os dois aqui.
Hoje temos mais planos. Sonhamos mais.
Queremos viver bons momentos com o Vicente, enquanto família.
Estamos alinhados no tipo de educação e valores que lhe queremos transmitir.
O Vicente veio acrescentar ainda mais.

Somos uma equipa. Tenho orgulho em nós.
No que construímos e no que estamos a construir.
Fazemos questão de estar os três em tudo. Mas também começamos a sentir falta de estar só os dois.

O Vicente fez oito meses, entrou na creche.
E vamos aproveitar esse tempo para voltarmos a ter momentos nossos.

Tenho sorte.
Tenho muita sorte.
Hoje estou feliz.
Amanhã não sei.
Mas hoje estou.
E estou a viver isto.

Pedi-lhe para escrever sobre mim. Sobre nós.
“A Tatiana já vinha com alguma experiência maternal por causa dos irmãos mais novos (quase 20 anos de diferença). Isso deu-lhe alguma segurança para começar esta etapa. Mas o Vicente é um bebé intenso, que precisa de muita atenção e faz sestas curtas, o que quase não deixa tempo para ela — nem para nós.
Ela precisa muito dos momentos dela para se sentir bem.
Depois do nascimento de um bebé, apesar de se pensar o contrário, chegam desafios grandes para o casal.
O tempo a dois torna-se raro e toda a atenção passa para o bebé. É uma das fases mais exigentes para a relação. Para nós, esta adaptação foi intensa: poucas horas de sono, alguns desentendimentos — reflexo do cansaço.
E as nossas noites? Davam uma boa série.
Ela é uma mãe incrível para o Vicente.”

Na realidade, somos os dois incríveis.
Enquanto casal, estamos aqui para tudo — à nossa maneira, a fazer o nosso melhor.

Ficas para o próximo capítulo?
Isto é Maternidade aPita,
por Tatiana Pita, no The Glitter Dream.

#GlitterUpYourLife