Episódio 3
“Porque é que não fazes assim?”
“Antigamente não era assim.”
A pressão começa aqui.
Por favor, não desvalorizem as nossas primeiras dúvidas, inseguranças e vitórias.
É o nosso primeiro filho. Para nós, tudo é novo. Tal como já foi para vocês.
A primeira febre custa. A primeira vacina custa. A primeira ida às urgências custa.
E ouvir frases como: “ah, isso é normal” ou “espera até ir para o infantaria”, não ajuda.
Até lá, deixem-nos viver o momento. Sem comparações. Sem pressa. Sem minimizar o que sentimos.
As ajudas e as dicas são bem-vindas — sempre. Mas é preciso cuidado com o que se diz.
A nossa cabeça, enquanto pais de primeira viagem, já está cheia de interrogações.
O que funciona para uns, não funciona para outros. E está tudo bem.
Toda esta pressão também pesa na saúde mental, especialmente nos primeiros meses.
Estamos mais frágeis. Mais cansadas, com o corpo e a cabeça ainda a reorganizarem-se.
E quando ouvimos opiniões constantes, comparações e julgamentos, começamos a duvidar de nós.
Das nossas escolhas. Da nossa intuição.
A saúde mental materna também se cuida com respeito. Com empatia. Com menos ruído à nossa volta.
Às vezes, cuidar da saúde mental é simplesmente isto: proteger-nos do excesso de opiniões.
Escolher o silêncio.
Com o tempo, vamos aprendendo algo muito importante: Somos nós que vivemos a nossa realidade.
Somos nós que sabemos o que sentimos.
E não vamos conseguir agradar a todos.
No fim, é a nós que temos de agradar.
As filas dos supermercados. Os estacionamentos prioritários ocupados por quem “só vai ali um bocadinho”.
A falta de empatia é real.
Tão real que, quando alguém nos dá passagem, estranhamos.
Mas sorrimos. E agradecemos.
Porque também é disso que precisamos:
mais empatia.
Mais cuidado.
Mais silêncio, às vezes.
Sobre a amamentação, também existe pressão.
Este sempre foi um tema sensível para mim. Mesmo antes do Vicente nascer, eu já sabia que ia ser um desafio — tenho muita sensibilidade mamária. Eu tentei. Sofri. Não consegui. Desisti. E está tudo bem.
Eu não me julguei. Mas senti julgamento dos outros.
E, às vezes, cheguei a julgar-me a mim própria. Mas porquê?
Não temos de seguir as regras da sociedade.
O Vicente está aqui. Está bem. E isso é o que importa.
E depois há o tempo. Antes do Vicente nascer, eu achava que não tinha tempo.
Gargalhadas.
O tempo somos nós que o definimos e gerimos. Temos tempo para tudo. Mas também temos prioridades.
E quando somos mães, há um ponto de viragem, redefinimos prioridades.
Começamos a olhar para os dias de outra forma.
Ficas para o próximo capítulo?
Isto é Maternidade aPita,
por Tatiana Pita, no The Glitter Dream.
#GlitterUpYourLife