Metamorfose, Ep 6: Ninguém nos avisa que os 20´s são feitos de dúvidas, não de certezas

Ninguém nos avisa que os 20s são feitos de dúvidas, não de certezas.

Crescemos a ouvir que esta é a década em que tudo se começa a alinhar: a carreira, a casa, o amor, a estabilidade. Como se existisse uma ordem lógica e universal para a vida de toda a gente.

Durante muito tempo, também acreditei nisso.

Sempre achei que primeiro vinha a carreira, depois a casa, depois o casamento, talvez um filho… e só depois os 30. Quando temos 16 anos, os 30 parecem um futuro longínquo, quase abstrato. Mas de repente piscamos os olhos, temos 26, e percebemos que uma década passou num instante.

E com ela veio uma sensação estranha: a de que o tempo começou a correr mais depressa do que os planos que fizemos para ele.

A verdade é que nem eu, nem quase ninguém que conheço, tem a vida “resolvida”. E talvez o problema esteja exatamente aí, nessa ideia de que aos 30 deveríamos ter tudo encaminhado. A realidade é bem diferente. Cada pessoa tem o seu ritmo, o seu tempo, o seu processo. E mesmo assim, insistimos em comparar.

Hoje em dia, com as redes sociais, essa comparação é quase inevitável. Vemos carreiras a descolar, relações perfeitas, casas bonitas, viagens constantes. E, sem nos apercebermos, começamos a medir a nossa vida com a régua dos outros. Mas esquecemo-nos de um detalhe importante: comparamos a nossa vida real, feita de altos e baixos, com recortes cuidadosamente escolhidos da vida dos outros.

E isso nunca é justo.

Aos 20 e poucos anos enfrentamos, talvez, os maiores desafios da vida adulta. As primeiras grandes decisões, as primeiras quedas, as primeiras dúvidas sérias sobre quem somos e para onde vamos. É normal sentirmo-nos perdidos. É normal errar. É normal mudar de ideias. É normal não saber.

E, ainda assim, somos tão duros connosco.

Oiço muitas vezes dizer que “os 30 são os novos 20”. E começo a acreditar que sim. Talvez porque as certezas que achávamos que deviam chegar aos 25… só comecem a aparecer mais tarde. Talvez porque a maturidade emocional, a segurança e a clareza precisem de tempo e não de pressa.

Eu, pessoalmente, não sei onde estarei daqui a quatro anos. Não sei como estarei aos 30. E, pela primeira vez, isso não me assusta tanto. Estou a aprender a respeitar o meu ritmo, a aceitar que nem tudo tem de acontecer agora, a perceber que o caminho também faz parte da conquista.

O que sei é que quero viver esta fase com curiosidade, não com pressão. Quero desfrutar dos meus 20s, aprender com eles, errar, crescer. E quando os 30 chegarem, quero recebê-los de braços abertos, sem julgamentos, sem comparações, sem a sensação de que cheguei atrasada.

Porque, no fundo, ninguém chega atrasado à própria vida.

Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife