À medida que vamos crescendo é natural começarmos a sentir que estamos a ficar para trás, de um ponto de vista científico, isto acontece porque até aos 18 anos e enquanto estamos na escola, a vida de todos os que nos rodeiam é exatamente igual à nossa. De um ponto de vista lógico e real, a comparação social toma conta de nós.
Porque é depois disso que a vida começa, vemos pessoas a casar, comprar casa, ter filhos. Não estás atrasada, não estás a ficar para trás, estás num timing diferente. E a verdade é que é muito difícil aceitar o facto de que a tua melhor amiga foi promovida e tu nem consegues arranjar emprego na tua área, assim como custa um bocadinho quando a tua prima está a planear um casamento e tu estás a planear o que vais fazer no fim de semana.
Isto não anula a felicidade que sentimos pelas conquistas dos outros mas a verdade é que nos faz olhar um bocadinho para nós (e questionar o que raio andamos a fazer com a nossa vida).
O nosso valor deixou de ser medido pelo que realmente valemos, pelo nosso progresso e evolução e passou a ser medido na comparação com os outros. Estamos muito felizes com o nosso apartamento até olharmos pela janela e vermos a moradia que o nosso vizinho acabou de construir. Estamos felizes na nossa pequena vida até nos lembrarmos da vida dos outros.
E isto podia ser apenas a minha opinião mas a verdade é que existe um estudo conduzido pela Universidade de Harvard que prova isso mesmo. Foram dadas duas opções a um grupo de alunos recém graduados da faculdade, na primeira tinham a possibilidade de receber 50 mil dólares ao ano, enquanto toda a gente à volta deles recebia 25 mil e na segunda recebiam 100 mil dólares ao ano, enquanto todos os outros recebiam 200 mil.
Acho que conseguem adivinhar que opção escolheram.
A maior parte das pessoas prefere ter menos dinheiro, mas mais do que os outros, do que simplesmente poder receber mais. Escolhemos ter menos só para poder dizer que temos mais, porque o paradoxo da comparação social é precisamente isto, não importa o que tens, importa o que tens comparado com os outros.
Mas estou aqui para te relembrar também que não existe um tempo certo, a vida não é uma corrida e precisamos urgentemente, enquanto sociedade, de parar de comparar a nossa vida, a vidas que nem queremos ter. O teu valor não se resume a números, a títulos ou a posses e o não de hoje é o sim
de amanhã.
Cada vez mais acredito que o segredo da felicidade é não nos compararmos a ninguém sem ser ao nosso eu de anos passados. É decidir que o foco da nossa vida somos nós e aquilo que sentimos sem qualquer tipo de pressão externa. Não nos contentar com aquilo que temos mas aceitá-lo e perceber que existe algo especial e único em sermos nós, e esse será sempre o nosso maior super-poder.
Artigo por Rita Pinto Da Silva .
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