Existe a ideia de que só mudamos de vida quando tudo está mal, que só procuramos mais quando tudo o resto nos falha. Olhamos para a mudança como uma fuga. Mas e se eu não me sentir triste, miserável e esgotada e mesmo assim quiser mais?
Às vezes deparamos-nos com uma vida boa, estável e segura mas mesmo assim parece que falta alguma coisa. Falta emoção, falta entusiasmo, falta vida. E tudo isso é motivo mais que suficiente para fazer um rebranding total daquilo que somos e à maneira como vivemos.
Sou apologista de que não devemos esperar, por sexta, pelo início do mês ou pelo fim do ano para tomar as rédeas da nossa vida e mudar seja o que for, mas a verdade é que parece que existe ali uma motivação extra, o empurrãozinho que faltava.
É uma altura de reflexão e de introspecção (coisa que raramente fazemos durante o nosso dia-a-dia) e chegamos ao fim de mais um ano e percebemos que nada mudou, estamos exatamente no mesmo sítio em que estávamos há um ano atrás e isso é o mais assustador.
Não é ingratidão querer mais e não é egoísmo admitir que “isto já não me representa e não se alinha com os meus valores”. Fomos ensinadas a aceitar o mínimo, a chamar de seguro a tudo aquilo que é previsível, a valorizar a estabilidade acima de tudo aquilo que sentimos, mas a verdade é que nem tudo o que acaba estava mal, simplesmente às vezes não tem espaço suficiente para crescer.
Artigo por Rita Pinto Da Silva .
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