Se há algo que muitas mulheres solteiras já ouviram, é o clássico “E tu? Vais ficar para tia?” ou o inevitável “E namorados, nada?”. Às vezes surge até a pergunta disfarçada de curiosidade científica: “Porque é que continuas solteira?”. A resposta, na maioria das vezes, é mais simples do que parece.
Antes de mais, vale a pena lembrar: mulheres não existem apenas para serem namoradas ou mães. Somos filhas, netas, irmãs, amigas, madrinhas, profissionais, criadoras de mundo. A identidade feminina nunca foi, nem será, uma função única. A ideia de que a vida só avança quando há um parceiro é curta. E já não nos serve.
Muitas mulheres independentes, emocionalmente conscientes e com amor-próprio bem trabalhado passam fases mais longas solteiras. Não por falta de opções, mas por escolha. Porque nem toda a companhia é melhor do que a própria. Porque só vale a pena partilhar a vida com alguém que acrescente, que respeite, que esteja alinhado. E isso, sim, nem sempre aparece depressa.
Ser solteira é também um caminho de aprendizagem. Aprende-se sobre limites, sobre desejos, sobre o que não se quer repetir. Aprende-se a reconhecer padrões, a não romantizar o mínimo, a proteger energia. Com o tempo vem a maturidade emocional, aquela que nos faz escolher melhor, dizer não com leveza e sair mais cedo do que ficar onde não faz sentido.
Isso não significa que não exista vontade de amar. Existe. Mas existe também a clareza de que amor sem paz não é amor. E que não é preciso estar acompanhada para estar inteira.
Quanto às perguntas desconfortáveis, convém lembrar que nunca sabemos o que está do outro lado. Já muito se tem falado sobre o facto de que não se deve perguntar a um casal quando vão ter filhos, porque não se sabe se estão a tentar ou até se perderam algum. Do mesmo modo, perguntar “porque estás solteira?” ignora histórias, processos, lutos, curas e fases. E é chato. Mulheres solteiras talvez estejam a recuperar de uma desilusão amorosa, de um encontro que não valia nada, ou apenas a lidar com dias mais carentes.
A verdade é simples: além de “tias”, somos tantas outras coisas.
Mas sejamos honestas… também somos excelentes tias.
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