Artigo por Marta Ribeiro Teixeira– Dermatologista Clínica Espregueira Porto
Durante o mês de dezembro, a maioria das pessoas consome mais doces. Isto levanta uma pergunta comum: será que o consumo excessivo de açúcar, através da glicação do colagénio, pode envelhecer a pele? A resposta não é assim tão simples: pode contribuir, mas o efeito depende da quantidade, da frequência e do estado geral de saúde da pessoa em questão.
Mas afinal o que se sabe sobre a forma como o processo de glicação afeta a saúde da nossa pele? A glicação é um processo natural em que o açúcar se liga a proteínas importantes da pele, como o colagénio e a elastina. Essa ligação forma moléculas chamadas AGEs, ou seja, Advanced Glycation End-Products (em português Produtos finais de Glicação Avançada). Os denominados AGEs tornam as fibras de colagénio, mais rígidas e quebradiças o que, a longo prazo, reduz a elasticidade da pele, aumenta a oxidação e inflamação e dificulta a renovação celular e a reparação tecidular. A acumulação de AGEs ao longo dos anos na pele está, portanto, associada a sinais de envelhecimento cutâneo.
Contudo, a glicação do colagénio como resultado dos AGEs não ocorre apenas devido ao consumo de açúcar. O envelhecimento natural do organismo, a exposição solar desprotegida, o consumo de alimentos altamente processados, o tabaco e a poluição ambiental são também fontes de AGEs, os quais contribuem para a glicação e destruição das fibras de colagénio. Se o consumo excessivo de açúcar em pessoas saudáveis, sem diabetes ou insuficiência renal, isoladamente causa envelhecimento visível da pele ainda não está totalmente esclarecido. Há alguns estudos que apontam nesse sentido, mas a evidência científica não é sólida.
Mas uma coisa é certa. O consumo excessivo de açúcar, como acontece nesta altura do Natal, tem comprovadamente consequências negativas para a pele, deixando a mais reativa, aumentando processos inflamatórios que podem levar ao agravamento ou aparecimento de patologias como acne. A pele fica menos luminosa, com mais oleosidade e vermelhidão, aumentando o risco de desenvolver o chamado “acne de dezembro”.
A boa notícia é que não é preciso eliminar todos os doces nesta época festiva. Pequenos ajustes fazem uma grande diferença. Aumentar o consumo de proteína, fibras, alimentos anti-inflamatórios como vegetais e frutos vermelhos e de água, assim como reduzir o consumo de álcool podem ajudar a minimizar as consequências negativas dos picos glicémicos natalícios. Além disso, devemos aliar tudo isto a bons hábitos de sono, à prática de exercício físico e cuidados de pele como aqueles que se seguem:
- Limpar a pele de forma suave, mas eficaz, removendo completamente a maquilhagem
- Aplicar um antioxidante de manhã como vitamina C ou niacinamida
- Hidratação consistente, com produtos não comedogénicos
- Evitar produtos demasiado agressivos
- Usar sempre protetor solar (mesmo no inverno)
- Limpar os pinceis da maquilhagem semanalmente, desinfetar o telemóvel todos os dias e trocar regularmente a fronha da almofada e a toalha de rosto.
Em suma, o “açúcar de dezembro” não causa o envelhecimento instantâneo da pele, especialmente em pessoas saudáveis. Mas consumos elevados e repetidos, como os que acontecem em dezembro, podem aumentar a glicação, inflamação e oleosidade, afetando o aspeto da pele a curto prazo, com aparecimento de acne e uma aparência global menos saudável da pele. A chave está no equilíbrio: desfrutar do Natal, mas com escolhas inteligentes que protegem a pele sem retirar prazer da época.
#TheGlitterDream