O stress é, por vezes, descrito como o mal do século. No entanto, nem sempre é o inimigo que imaginamos. Apesar de frequentemente associado a ansiedade, irritabilidade ou exaustão, o stress é, antes de mais, uma resposta natural do organismo a situações que exigem adaptação, esforço ou superação.
Em doses equilibradas, pode ser um aliado: ajuda-nos a manter o foco, a energia e a motivação. É aquilo a que se chama eustress, o stress positivo. Surge, por exemplo, antes de uma apresentação importante, de uma decisão desafiante ou de um momento que exige o melhor de nós.
O problema instala-se quando esse mecanismo de defesa se torna constante, excessivo ou descontrolado. Quando o corpo permanece em alerta durante demasiado tempo, o stress deixa de ser funcional e transforma-se num fator de desgaste físico e emocional.
O que o stress faz ao corpo
O stress é tanto psicológico como fisiológico. Em situações de tensão, o corpo liberta hormonas como o cortisol e a adrenalina, preparando-se para reagir, acelerar o ritmo cardíaco, aumentar a atenção, reforçar os músculos.
A curto prazo, esta resposta é útil. A longo prazo, torna-se prejudicial. A exposição contínua ao stress pode enfraquecer o sistema imunitário, afetar o sono, comprometer a digestão e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
Os sinais de alerta de que o stress está a ultrapassar os limites saudáveis incluem:
- Dificuldades de concentração e memória;
- Alterações do sono;
- Irritabilidade, ansiedade ou tristeza persistente;
- Tensão muscular, dores de cabeça e fadiga;
- Alterações digestivas ou cardíacas.
Reconhecer estes sinais é o primeiro passo para agir.
Aprender a gerir o stress
“Não se trata de eliminar o stress, mas de aprender a geri-lo. O corpo fala, e quando o stress é ignorado, o corpo acaba por gritar”, sublinha Helena Paixão, psicóloga clínica, especialista em ansiedade e mindfulness.
Gerir o stress passa por encontrar estratégias de regulação que permitam restaurar o equilíbrio:
- Respiração consciente e técnicas de relaxamento, que ajudam a desacelerar a resposta fisiológica ao stress;
- Prática regular de atividade física, que liberta tensão e estimula o bem-estar;
- Alimentação equilibrada e sono reparador, pilares fundamentais da saúde emocional;
- Pausas e momentos de autocuidado, para redefinir limites e recarregar energia;
- Apoio profissional, quando o stress se torna persistente ou interfere com o quotidiano.
Mitos e verdades sobre o stress
Mito 1: O stress é sempre mau.
Nem todo o stress é negativo. O eustress ajuda-nos a focar e a manter a motivação. Só quando é prolongado ou intenso demais é que se torna prejudicial.
Mito 2: As pessoas fortes não sentem stress.
Todos sentimos stress. A diferença está na forma como o gerimos. Reconhecer e procurar ajuda é sinal de autoconhecimento, não de fraqueza.
Mito 3: O stress é apenas “coisa da cabeça”.
O stress tem efeitos reais no corpo — dores musculares, problemas digestivos, insónia, tensão arterial elevada. Corpo e mente estão profundamente ligados.
Mito 4: Ignorar o stress faz com que ele desapareça.
Reprimir ou ignorar o stress apenas o agrava. Falar sobre o que se sente e adotar estratégias de gestão é essencial.
Mito 5: Só quem tem uma vida muito agitada sofre de stress.
Mesmo rotinas aparentemente tranquilas podem gerar stress. Ele resulta da perceção de ameaça ou sobrecarga, não apenas da quantidade de tarefas.
Mito 6: O stress é inevitável — não há nada a fazer.
Embora não possamos eliminar todas as fontes de stress, podemos aprender a geri-lo e a fortalecer a nossa resposta.
O stress faz parte da vida, mas não deve comandá-la. Escutar o corpo, reconhecer os sinais e cuidar da mente são passos essenciais para manter o equilíbrio e prevenir o desgaste.
Na Clínica Helena Paixão, o objetivo é ajudar cada pessoa a compreender a sua resposta ao stress, desenvolver ferramentas de regulação emocional e promover uma relação mais saudável consigo mesma, e com o mundo que a rodeia.
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