O que viajar faz por nós enquanto pessoas? (e porque precisamos disso)

Se eu fosse médica (o que está absolutamente fora de questão), este era aquele conselho que dava a toda a gente. Para qualquer pessoa que precise de dar asas à sua imaginação, escapar da sua própria cabeça ou levar-se um bocadinho menos a sério, viajar é um antídoto. Não precisa de ser longe, nem caro, nem instagramável: precisa de ser diferente do sofá em que temos lugar marcado. E hoje conto-vos porquê. 

Bem, não me vou armar aqui em expert até porque tudo o que vou referir quem me lê provavelmente já sabe. Este artigo pode e deve apenas servir como lembrete de todos os benefícios de, simplesmente, ✨ sair daqui ✨por um bocadinho. 

  1. O reset mental que nos proporciona 

Sair da rotina, ainda que muitas vezes difícil de concretizar, é fundamental. A nossa mente precisa de uma pausa para se reorganizar e, fazer uma mala e ir conhecer um lugar novo, é um clássico eficaz para fazê-lo acontecer. Estar 100% presente, atento, curioso num espaço completamente novo é uma forma de mindfulness. 

  1. Sair da bolha 

Há duas práticas em que gastamos dinheiro e ficamos mais ricos: ler e viajar. No caso desta última, conhecer outras realidades e perceber que, já dizia Bruno Nogueira, “o mundo é bué cenas”, é uma ótima maneira de garantir que não ficamos demasiado presos nem conformados na nossa zona de conforto. Se não nos obrigarmos a expandir horizontes mentais, como podemos tornar-nos num ideal de ser evoluído (ou numa aproximação disso)? Desafiar as nossas certezas e preconceitos, bem como perceber que o que é “normal” vai muito além do significado que conhecemos eleva-nos a um novo e necessário patamar de empatia. 

  1. As pessoas que conhecemos (inclusive nós próprios)

Em viagem, é comum cruzarmo-nos com pessoas novas com quem podemos conversar e aprender. Não sei se é por ser de comunicação, mas acredito vivamente no poder da partilha e do diálogo como arma imaterial capaz de mudar o mundo, quanto mais não seja, o nosso pequeno mundo. Como pessoas, todos somos um pouco como as cebolas: temos várias camadas. Adquirimos esta complexidade com as vivências que vamos tendo e tentar desconstruí-las através de conversas, por exemplo, abre-nos um leque de possibilidades de aprendizagem ainda mais refrescante que este objeto literal. Durante a jornada, e face a situações diferentes, também acabamos por nos conhecer mais a nós mesmos. Se viajarmos acompanhados, em adição, não importa o quanto achamos que conhecemos a pessoa que levamos a nosso lado, vamos sempre descobrir ou redescobrir algo sobre ela. Pura magia, não?

  1. A explosão de criatividade

No outro dia, perante uma grande e clara falta de inspiração, alguém me disse “vai ver coisas, vai ler, vai sentir, observa mais, absorve mais, muda de cenário”. E eu lembrei-me da força deste ato. Viajar é quase uma necessidade básica dos criativos. E, mesmo para quem tipicamente não precisa de abrir as janelas da imaginação, a criatividade faz falta no dia a dia de todos, pelo menos para uma vida mais glitter. Acho que se fala pouco da inspiração tremenda que vem do inesperado. Pôr o pezinho fora do óbvio e perder o controlo das coisas de vez em quando é crucial. O nosso cérebro precisa de estímulos e, por experiência própria, as melhores ideias raramente surgem nas quatro paredes onde está a secretária habitual. Acontece-me muito no chuveiro, mas o frio na barriga de um novo destino é também grande contribuidor desta lufada mental. 

  1. O regresso

Viajar é maravilhoso, mas voltar a casa ainda é melhor. Estar de regresso à rotina, mas com uma mão cheia de ideias, memórias e histórias novas é mesmo uma sorte grande. As experiências, para além de muito mais valiosas que qualquer posse material, ajudam-nos a construir a nossa narrativa pessoal. Vamos integrar as aprendizagens no quotidiano e, muito ou pouco, acabamos por voltar pessoas diferentes das que foram. Sentimo-nos renovados, seguros, vivos. E é por isso que viajar é mesmo bom. 

E tu, já tens o próximo destino marcado?

#GlitterUpYourLife