Sim. E não! E digo-vos já que não há nenhuma contradição no que acabo de escrever e passo a explicar de uma forma muito simples: o que é uma vassoura sem uma pá? O que é um martelo sem um prego? O que é uma esfregona sem um balde? O que é um telemóvel sem uma bateria? Got it? Acredito que já perceberam a ideia…
Vou explanar um bocadinho mais a coisa para um entendimento mais amplo e profundo do que é de facto a gratidão e a ciência e arte por detrás da sua prática.
A gratidão é um evento químico, neurofisiológico, como a paz e a tranquilidade por exemplo. Este evento é provocado por um cocktail que mistura serotonina, dopamina, oxitocina e outras, e que nós percebemos como uma emoção ou um sentimento.
Porém, este evento, só se produz realmente através de um, (ou mais) pensamentos conscientes direcionados através da intenção. A intenção está para a gratidão como a bateria está para o telemóvel, e serve como uma carga que permite a gratidão a sua continuidade no tempo. Portanto, se não houver uma intenção verdadeira, o cérebro (que não é parvo!), não vai interpretar a gratidão como algo real e prolongado, mas sim como algo duvidoso e de curta duração. É por isso que a intenção tem de estar presente, a honestidade e a confiança também, sendo estas as verdadeiras ferramentas por detrás da gratidão.
A gratidão é também um fenómeno energético, já que é dotada de uma vibração especial, que de facto, apoia e suporta as nossas células e moléculas na sua manutenção e regeneração, equilibra o nosso estado emocional e pode até dotar-nos de propósitos maiores no que diz respeito ao nosso papel na sociedade e no mundo.
Pode-se dizer que a gratidão, quando praticada com consciência, pode trazer calma, paz interior e serenidade perante acontecimentos da vida, sejam eles quotidianos ou extraordinários, tornando-se assim uma aliada no desenvolvimento interior. Diria ainda que a honestidade trazida pela intenção e pela coerência entre pensamentos e sentimentos, é o que faz com que a prática de agradecer todos os dias, no mínimo, quando acordamos e adormecemos, seja verdadeiramente eficaz.
E neste caso a coerência é também muito importante e não posso deixar de realçar o seu papel fundamental para que o agradecimento não caia em saco roto, e não sirva para mais do que ilusão momentânea… Dou-vos um exemplo; ontem numa fila de supermercado, carregada de coisas nas mãos porque não me deu na gana ir buscar um cesto ou um carrinho, escorrega-me um iogurte que se espalha pelo chão. Eu não vi, mas o senhor que estava atrás de mim viu e logo me disse com um sorriso de orelha a orelha e uns olhos verdes muito luminosos: “Senhora, deixou cair o iogurte”. Ao que eu respondo, com ar de desalento, “pois foi! (tentando deixar as coisas já no tapete rolante, sem êxito algum, pelo cliente da frente). Temos de chamar a senhora da limpeza.” Ao que ele responde, “Não se preocupe, são coisas da vida. A senhora hoje está cansada e triste não é? Fique tranquila, tudo passa, o pior é quando não temos casa e temos de andar a pedir, como eu”. E aquilo bateu-me como um chapadão bruto na cara! E pensei: é a primeira vez que este senhor me vê, está bem que venho do IPO onde fui visitar um familiar próximo e por isso devo estar com uma cara de mal-agradecida com a vida, mas caramba, tenho saúde, amor, trabalho, casa, comida e roupa lavada e estou aqui com estas trombas de quem não tem tudo para ser feliz? Respiro fundo, agradeço muito ao senhor e ao Senhor e saio do supermercado mais leve do que quando entrei.
Esta experiência aconteceu para me lembrar ainda mais deste artigo fantástico que tanto gozo me deu escrever. E estou muito grata. Intencionalmente grata. Honestamente grata. Coerentemente grata. Ao quê? Á VIDA!
E um último segredo da gratidão: Estar grata porquê, para quê e a quem!
Usar sempre esta trilogia e avançar mais leve pela vida fora.
Artigo por Rute Pereira
#TheGlitterTeam