E de repente…já nos 40 – A mudança profissional!

Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)

O que já fizeram os 40 por mim? Tenho pensado muito nisto e a resposta é: tanto!

Um tanto que dá para os dois lados porque entre momentos incríveis, avassaladores e muito felizes, também já apanhei alguns sustos.

Mas aos 40 anos mudei a minha vida profissional. E foi, um dos momentos mais emocionantes e libertadores de toda a minha existência. Movimento é vida, como costumo dizer e esta mudança foi verdadeiramente espantosa.

Eu acredito que seja um fenómeno curioso que passa pela cabeça de muitas mulheres: o chamado “basta profissional”. Um dia estamos a sorrir forçosamente numa reunião interminável, e no outro estás a perguntar-te: “Isto é mesmo o que quero fazer para o resto da vida?” Spoiler: provavelmente não. E está tudo bem. Não precisamos nem merecemos ficar uma vida inteira no mesmo sítio, se não quisermos.

Claro que tudo isto não se concretiza de um dia para o outro. Olhando para trás (já lá vão mais de dois anos!), foi uma decisão muito pensada (comigo mesma e em família), que gerou muita ansiedade (a agonizar mesmo!), com muitos medos… mas… mas, literalmente, de um dia para o outro, os receios que povoam a tua mente evaporaram-se e dão lugar a certezas, a esperança, a novas ambições, à sensação maravilhosa de que tudo é novamente possível… mesmo que não tenhamos mais 20 anos!

Aliás, aos 20, queria uma “carreira”. A palavra tinha glamour. Imaginava-me em saltos altos, a comandar salas de reuniões, com pastas de couro e café na mão. Muito cinematográfico. Só me faz recordar a película “Uma Mulher de Sucesso/Working Girl” com a Melanie Griffith e o Harrison Ford, um dos icónicos filmes da década de 80.

Aos 30, estava atolada de projetos, a começar uma família e a tentar provar que era capaz de tudo. E aos 40… vem o clique. Uma espécie de epifania: “E se eu simplesmente disser não?” ou “E se eu recomeçar?” ou “E se eu tirar da gaveta aquela ideia que está arrumada há anos?” ou, ainda, “E se eu não quiser mais isto?”.

É o momento em que muitas mulheres fazem o que parecia impensável: mudar de área, despedir-se, criar o seu negócio ou, simplesmente, recusar continuar num trabalho que já não faz sentido. Chamam-lhe crise, mas para muitas de nós, é libertação.

Não é rebeldia tardia. É sabedoria. É perceber que já demos o litro em contextos que nem sempre nos valorizavam. Que fomos leais, resilientes, flexíveis, e que agora queremos ser… livres.

Livre de hierarquias absurdas. Livre de colegas que acham que o mundo gira à sua volta. Livres de fingir que “está tudo bem” quando não está.

Aos 40, damos o salto. Não por capricho, mas porque sentimos que está na hora de alinhar o trabalho com quem realmente somos. E quem somos, agora, é diferente. Somos mais corajosas. Mais intolerantes à falsidade e ao bullshit corporativo. Mais interessadas em fazer algo com propósito – seja o que for. E queremos viver (não sobreviver!) com tempo. O maior luxo das nossas vidas.

E é quando realmente nos sentimos livres que a adrenalina dispára. Descobrimos novos talentos e percebemos que, afinal, sabemos fazer tantas coisas (estavam adormecidas). Aquela sensação de: “não sei fazer mais nada senão aquilo que fiz nas últimas décadas” é irreal. Porque basta acreditar, manter o foco, estar disponível para aprender, que, de repente, o universo se alinha e conspira a nosso favor. Eu senti isto de verdade!

Não se trata de começar do zero, mas sim de recomeçar com bagagem.

Claro que há dúvidas. “E se não dá certo?” “E se for tarde?” “E se me arrepender?” A resposta é simples: pior seria ficar presa numa vida que já não te serve, por medo de tentar outra.

E sabes que mais? Há uma força nova aos 40. Já não estamos à espera de validação. Já não queremos agradar a todos. Queremos é tempo com qualidade, relações sinceras, um trabalho que nos respeite – e talvez uma agenda que tenha mais pausas conscientes do que mil tarefas.

Portanto, se estás aí, no limiar da mudança, a sentir aquela comichão interior… ouve-a. Pelo menos, ouve-te! Pode ser o teu grito de libertação a pedir para sair. E a verdade é que aos 40, ninguém nos pára.

Só precisamos de dar o primeiro passo – de preferência com uns ténis confortáveis para chegar bem longe!

Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream